Diretores da Unimed recebem salários gordos e médicos magros R$70 por consulta

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Fundada em 1991, a Unimed – Campos Cooperativa de Trabalho Médico, nesses 30 anos de existência, consolidou-se como a maior empresa de assistência à saúde na sua área de abrangência, tornando-se vital para o município por cuidar da saúde, bem-estar e tranquilidade de 48 mil campistas, contando com o trabalho de 511 médicos cooperados.

A contradição da perpetuação no poder

Mais dos mesmos pela perpetuação no poder da Unimed

Às vésperas de uma nova eleição de diretoria para mais um quadriênio à frente da importante cooperativa médica, nota-se que o mesmo grupo que assumiu o comando da entidade, brandindo a bandeira contra a perpetuação no poder, agora, contraditoriamente, tenta se eleger pela terceira vez, em um rodízio de cargos de diretoria e algumas mudanças de composição. Isso tem despertado a atenção dos cooperados, que passaram a questionar quais razões tornam a direção da entidade tão atrativa.

Altos salários de diretores e dívidas milionárias hipotecadas

Esses questionamentos chegaram à equipe do Somos Online que ouviu de vários cooperados queixas de falta de transparência, contratos questionáveis, pagamento de caros aluguéis de imóveis com reformas custosas e dos altos salários e jetons da direção, em gritante contraste com dívidas milionárias acumuladas e o baixo valor de consultas pago aos médicos cooperados.

Um dos cooperados ouvidos, que preferiu resguardar a sua identidade para evitar eventuais retaliações, questionou: “Seria uma nova filosofia implantada na Unimed, a de sangrar os cooperados e prestadores de serviços para pagar os altos salários da direção?”.

Abrindo a “caixa preta”

Diante de estranhas condutas, como a exigência da assinatura de termos de confidencialidade para que os cooperados tenham acesso a informações de interesse coletivo, o Somos Online foi a campo obtendo, através de fontes internas da própria entidade, o acesso a provas documentais das distorções alegadas pelos cooperados.

Alguns exemplos dos altos salários pagos a diretoria da Unimed – Campos

Diretor Presidente – R$31.080,00

Em abril de 2020, há cerca de um ano, o contracheque do atual Diretor Presidente da Unimed – Campos Dr. Rodrigo Luna Venâncio assinalava o recebimento de R$31.080,00, brutos, somados o pró-labore de R$28.000,00 e a remuneração do Conselho Fiscal de R$3.080,00.

Diretor de Des. Estratégico – R$26.880,00

O Candidato a Diretor Presidente da Unimed – Campos na chapa da situação, o atual Diretor de Desenvolvimento Estratégico Dr. Leonardo Ferraz, tinha assinalado em seu contracheque de abril de 2020 o recebimento de R$26.880,00, somados o pró-labore de R$23.800,00 e a remuneração do Conselho de Administração de R$3.080,00.

Diretor de Controle – R$26.880,00

O atual Diretor de Controle Dr. Telmo Garcia Teixeira Jr., novamente aspirando compor a direção da Unimed – Campos na chapa da situação, trazia assinalado em seu contracheque de abril de 2020 o recebimento de R$26.880,00, somados o pró-labore de R$23.800,00 com a remuneração de R$3.080,00 do Conselho de administração.

Diretor de Recursos Próprios – R$26.880,00

O Diretor de Recursos Próprios Dr. Luiz Fernando Ferreira Sampaio, também componente da chapa da situação do grupo que tenta se perpetuar no poder na direção da Unimed – Campos, recebeu em abril de 2020 a importância de R$26.880,00, somados em seu contracheque o pró-labore de R$23.800 com a remuneração do Conselho de Administração de R$3.080,00.

Um exemplo de contrato terceirização de serviço médico com pessoa jurídica

É bastante emblemático o contrato da Unimed _ Campos com a empresa Assistência Pediátrica LTDA, sediada na Praia dos Cavaleiros, em Macaé, que tem como sócio administrador o médico Raphael Barros Maia, para “Prestação de Serviços Médicos de Pediatria no hospital da Unimed – Campos”. O referido contrato foi celebrado entre a cooperativa e a contratada no dia 1º de Março de 2016, ficando ativo até meados de 2019, quando em assembleia da entidade foi decidido encerrar todos os contratos de terceirização de serviços médicos com pessoas jurídicas.

O contrato abrangia:

  1. Coordenação Geral: R$12.000,00;
  2. Coordenação Diária (valor mensal): R$60.000,00;
  3. Valor por dia de semana (de segunda a sexta): R$4.000,00;
  4. Valor por dia de final de semana (sábado e domingo): R$7.500,00;
  5. Acréscimo de 20% (Taxa de administração).

Sem colocar qualquer dúvida quanto à legalidade do contrato, basta somar esses valores e multiplicá-los pelos cerca de 28 meses em questão, e surpreender-se, ou não, com aproximadamente 2,5 milhões de reais que, segundo fontes da própria Unimed, poderiam ter sido bem melhor empregados na melhoria salarial dos funcionários da entidade, contratando funcionários médicos para a função, e no parcelamento e quitação de dívidas para se evitar a futura hipoteca de bens da cooperativa. Menos mal, esse contrato foi extinto.

Atualmente, o competente Dr. Raphael Barros Maia figura como um dos maiores salários profissionais da entidade, recebendo em torno de R$56.000,00 mensais.

Consultas baratas

Por outro lado, fazendo um forte contraste com os altos salários da direção e de alguns “medalhões”, a Unimed – Campos paga aos médicos cooperados apenas R$70.00 por consulta, uma diferença de 30% sobre o valor pago pelas suas co-irmãs, com o agravante de que estaria repassando apenas os mesmos R$70.00 por consultas de intercâmbio, que são reembolsadas por outras Unimeds no valor de R$98.00.

Dívida milionária de ISS com a Prefeitura Municipal de Campos só aumenta

A atual gestão da Unimed – Campos tem protelado, através de recursos judiciais, o pagamento de uma dívida de ISS com a Prefeitura Municipal de Campos que já chega a incríveis 41 milhões de reais. Somadas a essa, mais duas dívidas menores começam a se acumular, sem que nenhuma providência seja tomada, nesses longos oitos anos de gestão do atual grupo que dirige a Unimed – Campos, na direção de um acordo ou parcelamento que evite mais uma hipoteca de imóvel do patrimônio da cooperativa.

Diante disso, o que começou com uma dívida de cerca de 07 milhões em 2003, já alcançou a marca dos quarenta e um milhões, duzentos e vinte e nove mil, seiscentos e vinte e três reais e vinte e nove centavos em 2020, com grande possibilidade de aumentar bastante antes de ser paga pelos cooperados.

O processo, pela sua idade, não está em meio eletrônico, mas pode ser consultado, pessoalmente, por advogados sob o número 0003908-82.2004.8.19.0014, conforme print abaixo.

Além dos pontos destacados nessa primeira reportagem sobre a “Caixa Preta da Unimed”, outras reclamações dos cooperados da entidade estão sendo apuradas pela equipe do Somos Online.

O Somos Online põe seu espaço à disposição dos citados na reportagem para explicações

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