Siro Darlan, que soltou Garotinho e Rosinha, é alvo de operação contra venda de sentenças

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Na manhã dessa terça-feira, foi desfechada a “Operação Plantão” da Polícia Federal, que investiga o desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ, sobre suspeita de vendas de sentenças, cumprindo 11 mandatos de busca e apreensão em endereços do desembargador, expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).

Garotinho e Rosinha

O desembargador Siro Darlan, alvo de um inquérito no STJ, que apura a venda de sentenças no Fórum da capital, foi quem mandou soltar Garotinho e Rosinha durante um dos seus plantões judiciais, menos de 24 horas depois de o casal ser preso, no início deste mês, acolhendo o pedido da defesa e concedendo habeas corpus para o casal, que havia sido preso preventivamente por suspeitas de receber propinas de 25 milhões da Odebrecht, durante as obras das casas do programa “Morar Feliz”, em Campos dos Goytacazes.

Os crimes teriam acontecido durante os dois últimos mandatos de Rosinha como prefeita, entre 2009 e 2016. Essa foi a quarta vez que Garotinho foi preso de forma preventiva e a segunda de Rosinha.

Eles foram presos por suposta capacidade de ameaçar testemunhas ou atrapalhar a obtenção de provas pelos investigadores – condição definida como “conveniência da instrução criminal” no jargão jurídico.

Siro – Multi investigado

Darlan é um magistrado controverso no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) pelas decisões recorrentes de dar liberdade a presos em plantões judiciais. Além dos inquéritos no STJ, também é alvo de uma representação na presidência do TJ-RJ, assinada pelos outros quatro desembargadores da 7º Câmara, e uma investigação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar faltas disciplinares.

Delação

A “Operação Plantão” da Polícia Federal é fruto da delação do ex-controlador-geral da Câmara Municipal de Resende Crystian Guimarães Viana, apontado como chefe de uma quadrilha responsável por criar empresas de fachada e fraudar licitações para prestação de serviços. Preso, ele resolveu contar às autoridades o que sabe sobre a compra e venda de habeas corpus.

Propina parcelada no ‘balcão de negócios’

O delator relatou aos promotores Vinicius de Souza Lima, Fabiano Cossermelli Oliveira e Diogo Alves da Costa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que Abbud, que estava preso com ele, contou que seu pai João Bosco de Azevedo negociou “com pessoa interposta pelo desembargador Siro Darlan” a quantia de R$ 50 mil por sua liberdade. Inicialmente, o pedido teria sido de R$ 120 mil, mas, negociado, caiu para menos da metade dividido em duas parcelas.

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