Prefeitura sem tempo para o risco de desabamento do prédio do Hotel Flávio

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O prédio do Hotel Flávio vai enfrentar mais uma provação com a chegada da primavera. Na tarde desta quarta-feira, 22, precisamente às 16h21, começou oficialmente a primavera de 2021, que vai até 21 de dezembro, abrindo espaço para o verão. Nessa primavera, o fenômeno La Niña (resfriamento da superfície das águas do Oceano Pacífico) retorna, desta vez em sua forma Modoki, estimulando mais chuvas durante a estação do que no verão.

Hotel Flávio sob risco de desabamento no Centro de Campos sem efetivas providências dos responsáveis pelo patrimônio histórico do município

Descaso & Abandono

A estrutura seriamente comprometida do prédio do antigo Hotel Flávio deve enfrentar nos próximos meses, um novo período de ventos, chuvas fortes e potenciais tempestades causadas por La Niña Modoki.

O descaso das autoridades nos últimos anos vem deteriorando aos poucos parte do patrimônio arquitetônico de Campos, incluindo o desativado hotel, que era ligado à família do Visconde de Araruama.

Sem novos reforços ou isolamento por tapumes, Hotel Flávio oferece grave risco aos pedestres

Em uma rápida pesquisa, é possível descobrir que a questão “Hotel Flávio” vem sido totalmente ignorada e deixada de lado pela administração Wladimir Garotinho, mesmo diante da visível deterioração do prédio, que se ruir em horário comercial, pode ceifar muitas vidas.

Em estado precário, sem tapumes ou isolamento por descaso da prefeitura de Campos, prédio do antigo Hotel Flávio oferece grave risco aos pedestres

Localizado no Centro da cidade, na Rua Carlos de Lacerda, o imóvel encontra-se com as calçadas livres ao tráfego de pedestres, mesmo com o histórico de partes de reboco da fachada se soltando e vigas internas desabando nos últimos anos, principalmente durante tempestades de verão. O prédio é tombado pelo Patrimônio Histórico do município desde 2013.  Mas não se trata de um caso isolado. Campos tem mais de 320 imóveis que apresentam as mesmas condições precárias e igual abandono.

Coppam inerte

No principal canal de informação da Prefeitura, seu site de notícias, a última referência significativa da participação dos representantes do poder público municipal em uma reunião do Conselho do Patrimônio Histórico e Arquitetônico do Município de Campos (Coppam) para discutir o assunto, foi na administração anterior, em 11 de dezembro de 2018. Na ocasião, participou também um dos herdeiros, Paulo Marques Mendonça, representando o restante da família. Ele veio do Rio de Janeiro especialmente para a reunião e revelou que a recuperação do imóvel, antes do desabamento parcial de junho daquele ano, estava orçada entre R$ 4 milhões e R$ 5 milhões. E que depois já não teria como calcular, mas que buscava parceiros para custear as obras em troca da doação do imóvel. Meses antes, em 27 de junho, a família havia apresentado proposta de demolir o quarto e último andar, por apresentar risco de novos desmoronamentos.

Já houve desabamento parcial

Antes desta reunião, houve uma breve visita ao prédio, no dia 8 de agosto, para “aprofundar um relatório para adoção de medidas que visem à preservação do restante da estrutura e a manutenção da segurança na área”. Depois do desabamento parcial em 23 de junho, os escombros foram retirados e houve o escoramento da estrutura, para evitar novos desmoronamentos. Os escombros, com parte do telhado e algumas vigas, foram retirados. Depois disso, mais nada foi divulgado na imprensa local sobre o assunto. “Passo regularmente nessa rua e prefiro utilizar a calçada do lado contrário. Tenho medo de que um pedaço de reboco se solte e caia sobre mim. Mas a maioria das pessoas nem percebe o risco”, avalia o motorista Eduardo Vieira, 38 anos.

Responsáveis sem tempo para o assunto

A reportagem de Somos procurou uma posição junto à prefeitura, representada no Coppam com metade dos 14 conselheiros, incluindo a presidência, ocupada pela professora Auxiliadora Freitas, que é também a presidente da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima. Mas a informação foi que “estavam todos envolvidos com o Festival Doces Palavras, e que não tinha como falar sobre o assunto naquele momento”. Apenas o secretário da entidade aceitou falar, mas sem se aprofundar demais sobre o assunto.

Estruturando o Coppam, mas esquecendo do patrimônio histórico e arquitetônico

– É inegável que a situação do prédio é de constante deterioração, com partes de sua estrutura caindo de vez em quando, mas este ano ainda não colocamos o Hotel Flávio em pauta – admite o secretário, historiador João Pimentel, acrescentando que “estamos inicialmente estruturando internamente o Coppam, mas, certamente, a questão do Hotel Flávio vai entrar em discussão”.

Sem tempo

Procurada pela reportagem do Somos Online, a presidente do Coppam, Dona Auxiliadora Freitas, pediu MAIS TEMPO, porque está envolvida com o Festival Doces Palavras e não pode atender à imprensa…

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