Preço dos Hospitais de Campanha cai 50% e 300 respiradores de 56 milhões desaparecem

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Após as graves denúncias de superfaturamento dez vezes superior ao cobrado em São Paulo pela organização social IABAS, com dispensa de licitação para operação dos Hospitais de Campanha com 1.400 leitos emergenciais ao custo de R$ 835 milhões pelos próximos seis meses (operação que chegou a ser colocada sob sigilo pelo estado), o Hospital de Campanha do Estado em Campos, que teve a sua paternidade assumida pelo deputado Wladimir Garotinho, o mesmo que agora nega veementemente ser o pai da criança, está com as suas obras em ritmo lento e sem data para inauguração definida, mesmo após a promessa do governador Wilson Witzel de que a unidade começaria a funcionar em 30 de abril.

O governador Wilson Witzel e o deputado Wladimir Garotinho

Tirando o bode da sala

Para tentar minimizar o escandaloso quadro, o governador afastou temporariamente um subsecretário sob a alegação de ser ele o único responsável pela contratação milionária sem que, estranhamente, ele, Witzel, tivesse conhecimento da pouco recomendada transação.

Preço cai de 60 para 30 milhões, mas ainda é cinco vezes mais caro que em São Paulo

Agora, avalizando as graves irregularidades denunciadas, o preço do hospital de campanha do estado em Campos trazido por Wladimir Garotinho às pressas, passou por uma grande alteração. O preço inicial de R$ 60 milhões, por seis meses de operação, acreditem, caiu pela metade, e agora está em R$ 30 milhões, com o dobro de leitos de UTI, agora 40.

Superfaturamento só caiu pela metade

O mais estranho é que se antes havia um superfaturamento de dez vezes no preço, agora então estaria superfaturado em “apenas” 5 vezes o preço cobrado em São Paulo. Os novos leitos, agora incluídos, seriam apenas uma cortina de fumaça para justificar o custo atual, ainda absurdo?

300 respiradores de 56 milhões sumiram

O empresário Glauco Otaviano Guerra, sócio administrador da empresa MHS Produtos e Serviços, uma microempresa do ramo de material de alimentação e de escritório, que vendeu 300 respiradores por R$ 56,2 milhões ao RJ não sabe onde está parte deles.

Nenhum equipamento foi entregue, mas seis dias após a aprovação do contrato sem licitação pela Secretaria de Saúde, o governo do Rio autorizou a transferência de R$ 18 milhões para a MHS.

Na proposta, a empresa se comprometia a entregar 100 ventiladores em 6 dias; outros 100 até o dia 14 de abril e outros 100 até 21 de abril. Tudo isso após pagamento antecipado. Após a estranha transação vir à tona, a empresa prometeu entregar 97 dos 300 respiradores, nessa quinta (7/5).

Mas, em entrevista telefônica ao jornal televisivo RJ2 de segunda-feira (4), o empresário disse que parte dos respiradores está perdida e admitiu jamais ter comprado este tipo de equipamento.

Segundo a subsecretaria jurídica da Secretaria de Saúde, em parecer enviado à Procuradoria Geral do Estado (PGE), a compra dos 300 respiradores não tem os dados necessários para a “execução do objeto emergencial”.

“O pagamento, como se constata pelo documento (…), já ocorreu, sem haver demonstração de entrega”, diz o documento.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) abriu uma investigação sobre o caso e pediu explicações ao secretário de saúde.

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