Piccadilly: “Quando um bar morre, um museu se incendeia”

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“Deveria existir uma lei que proibisse o fechamento de qualquer bar com mais de dez anos de existência. Em dez anos um bar já faz parte da nossa vida, da história da nossa cidade, quanto mais três décadas…” (Matheus Nicolau)

 Coluna Esdras/Folha da Manhã – 21/01/2021

O tradicional Bar e Restaurante Piccadilly, que tem lugar cativo no coração dos campistas com uma bela história de 30 anos de sucesso, definitivamente, não abrirá mais as suas portas sob a administração de Gugu e Miguelzinho Ramalho, Peri Ribeiro e Cláudio Linhares, mas continuará atendendo durante mais um período apenas em sistema de delivery, enquanto duas propostas de empresários campistas para compra da bandeira são analisadas. Mesmo que a venda não seja fechada, a casa, que já está com todos os seus compromissos honrados e liquidados, não será reaberta. Mas o sólido “casamento” dos sócios, e amigos, não termina por aí. Eles passarão a tocar outros negócios que têm em comum. É vida que segue”…

“Testemunha de noites tão lindas”

O anúncio do fechamento do Piccadilly Bar, com três décadas de história nas noites de Campos, despertou um turbilhão de sentimentos, saudades, amores, e paixão.

Como a do músico Matheus Nicolau, que produziu uma bela canção para o bar que tem lugar cativo no coração dos campistas, que traduz com maestria o que nunca se vai esquecer: “Testemunha de noites tão lindas, De festas que ainda, Parecem durar, Onde a música fez sua morada, Rompeu madrugadas, enfeitiçando o lugar…”

Renato Arpoador e André Rangel

Saudades do que já se foi, ou tributo ao que ficou, o legado do Piccadilly fica muito eternizado nessa belíssima canção em ritmo de bossa nova composta e cantada por Matheus Nicolau, devidamente acompanhado por André Rangel, no baixo, e Renato Arpoador, na percussão.

Confira abaixo o vídeo de lançamento desta merecida canção/homenagem ao Piccadilly:

Confira abaixo a letra da canção:

Picadilly Bar

Quando um bar morre

Um museu se incendeia

Cada parede está cheia

de história e segredo

que vão se queimar

Os copos secos

E as garrafas vazias

Traçam a biografia

De quem fez caminho

por esse lugar

Na Conselheiro já não tem remédio

pro meu mal

Mesmo que abram mais uma farmácia,

um outro hospital.

Lá os doutores até usam branco,

mas não carregam bandejas na mão,

Não me oferecem um chopp gelado

pra baixar a pressão.

É no balcão ou na mesa do bar

Que a vida se faz

Sala de parto de tantos amigos,

de tantos casais.

Onde feridas de brigas se curam,

Onde solteiros amores procuram,

Um bom viajante faz suas paradas

Na mesa de bar.

Testemunha de noites tão lindas

De festas que ainda

Parecem durar

Onde a música fez sua morada

Rompeu madrugadas

enfeitiçando o lugar

30 anos de tanta história,

Tantas vidas pra contar.

Quanta saudade agora vai ficar.

Muito obrigado, Piccadilly Bar.

Composição: Matheus Nicolau

Baixo: André Rangel

Percussão: Renato Arpoador

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