Pezão foi preso no Palácio das Laranjeiras

0

A maldição do Palácio das Laranjeiras atinge Pezão, que se tornou o quarto governador do Rio de Janeiro a ser preso pela Polícia Federal

Antes dele, os ex-governadores Garotinho, Rosinha e Cabral já haviam sido presos.

Cabral, aliado de Pezão, continua encarcerado em Bangu 8 e suas penas somam mais de 170 anos de prisão. Os ex-governadores Garotinho e Rosinha foram presos em novembro de 2017 por crimes eleitorais. Garotinho foi preso três vezes em um ano e teve a sua candidatura ao governo do estado barrada pelo TSE com base na Lei da Ficha Limpa. Rosinha e Garotinho são pais dos recém eleitos deputados federais Clarissa e Wladimir Garotinho.

No secretariado estadual

Pezão foi nomeado subsecretário estadual de Governo e de Coordenação pela então governadora Rosinha Matheus em 2005, e assumiu a titularidade da pasta quando o então secretário Anthony Garotinho (marido da governadora e ex-governador) decidiu disputar pela segunda vez a Presidência da República.

Como vice-governador

Indicado por Rosinha e Garotinho, Pezão foi eleito vice-governador do Rio de Janeiro na chapa de Sérgio Cabral Filho por dois mandatos (2007-2010 e 2011-2014).

Pezão foi preso no Palácio das Laranjeiras

Foto Marcelo Sayão – EBC

Na manhã dessa quinta-feira, o governando Pezão saiu preso do Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, ele foi acusado pelo Ministério Público Federal de operar um esquema de corrupção, tendo recebido cerca de 40 milhões de propina.

De acordo com o MPF, apesar de ter sido homem de confiança de Sérgio Cabral e assumido papel fundamental na organização criminosa do ex-governador, inclusive sucedendo-o na sua liderança, Pezão operou esquema de corrupção com seus próprios operadores financeiros.

Delações foram determinantes

A operação que prendeu Pezão e mais oito, foi mais um desdobramento da Lava Jato, dessa baseada em delações homologadas no STF e documentos apreendidos na residência de um dos investigados na Operação Calicute. Que levaram o ministro Felix Fischer do STJ a autorizar buscas e apreensões em endereços ligados a 11 pessoas físicas e jurídicas, e o sequestro R$ 39,1 milhões em bens dos envolvidos.

Desde o ano passado Pezão já figurava em várias delações. Em abril de 2017, dois executivos da Odebrecht disseram, em delação premiada, que Pezão recebeu dinheiro da construtora em espécie e em contas no exterior.

Pezão também é suspeito de ter recebido dinheiro do esquema de corrupção do Tribunal de Contas do Estado. O delator Jonas Lopes Neto, filho de Jonas Lopes de Carvalho, ex-presidente do TSE, disse que arrecadou R$ 900 mil de empresas de alimentação com contratos com o estado para pagar despesas pessoais do governador.

O governado Pezão também é acusado por um funcionário do doleiro Álvaro José Novis de ter recebido propina da Fetranspor no valor de R$ 4,8 milhões.

Além disso, em sua delação, Carlos Miranda, indicado como o operador do esquema de corrupção chefiado por Sérgio Cabral, disse que Pezão teria recebido mesada das fornecedoras do estado no valor de R$ 150 mil durante sete anos.

Alvos da Operação

A operação Boca de Lobo também mirou no secretário de Obras do Rio, José Iran.

Além de Pezão e Iran, há mandados de prisão contra o secretário de Governo, Affonso Henriques Monnerat Alves Da Cruz, já preso na operação Furna da Onça, Luiz Carlos Vidal Barroso (servidor da secretaria da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico), Marcelo Santos Amorim (sobrinho do governador Pezão), Cláudio Fernandes Vidal e Luiz Alberto Gomes Gonçalves (sócios da J.R.O Pavimentação), Luis Fernando Craveiro De Amorim e César Augusto Craveiro De Amorim (sócios da High Control Luis).

NENHUM COMENTÁRIO