Hospital de Campanha de Campos estava entre os principais alvos da quadrilha

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Operação Favorito

O empresário Mário Peixoto, ligado ao secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Lucas Tristão, braço-direito do governador Wilson Witzel (PSC), o ex-presidente da Assembleia Legislativa Paulo Melo (MDB) e mais três pessoas foram presos na manhã desta quinta-feira (14), na Operação Favorito, deflagrada em conjunto pelas polícias Civil e Federal.

Presos Paulo Melo e o empresário Mário Peixoto

A Operação Favorito tem como alvo uma organização criminosa que desviou R$ 3,95 milhões em recursos públicos da área da Saúde, por meio de uma organização social para administração de UPAs (Unidade de Pronto Atendimento). Segundo a PF, o nome da operação tem relação com o tempo de relacionamento do empresário com a administração pública, “ou seja, pelo menos 10 anos sendo o favorito”.

Delação de Jonas Lopes Neto

O fio da meada foi uma delação premiada de Jonas Lopes de Carvalho Neto, filho de ex-presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado) Jonas Lopes de Carvalho Filho, que afirmou que o empresário era um dos responsáveis por pagar uma mesada de R$ 200 mil aos conselheiros da corte em 2012 e 2013. Interceptações telefônicas mostraram que a quadrilha também trocava informações sobre compras emergenciais na pandemia nos hospitais de campanha erguidos pelo estado, com dinheiro público.

Hospital de Campanha do Estado em Campos entre os principais alvos da quadrilha

As interceptações telefônicas realizadas pelos investigadores da Lava Jato, com autorização judicial, mostraram que pessoas ligadas a Peixoto trocaram informações sobre compras emergenciais e aquisições dos hospitais de campanha, tendo como alvo principal as unidades montadas pelo estado, com dinheiro público, no Maracanã, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Casimiro de Abreu e Campos. Contrato vencido pela Organização Social Iabas.

Planilhas suspeitas

Os mandados, incluindo 42 de busca e apreensão, foram assinados pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do RJ, “em razão dos indícios da prática dos crimes de lavagem de capital, organização criminosa, corrupção, peculato e evasão de divisas”.

Segundo as investigações, mesmo antes da contratação, planilhas de custos já estavam sendo confeccionadas, despertando a suspeita de fraudes no processo.

Laranjal

Segundo a PF, “o grupo criminoso alavancou seus negócios com contratações públicas realizadas por meio das suas inúmeras pessoas jurídicas”.

Os investigadores afirmam que cooperativas de trabalho e organizações sociais foram, na maioria, “constituídas em nome de laranjas, a fim de permitir a lavagem dos recursos públicos desviados e disfarçar o repasse de valores para agentes públicos envolvidos”.

A ponta do iceberg

É atribuída a Peixoto a nomeação de cargos-chave no Detran, Cedae, Inea (Instituto Estadual do Ambiente), Loterj, entre outros órgãos da atual administração estadual. A empresa de sua família, a Atrio Rio, já firmou R$ 81 milhões em contratos com a gestão Witzel, boa parte sem licitação. Ela atua na terceirização de mão-de-obra para o estado.

“Sou soldado do governador” (Tristão)

A sociedade com Tristão, ex-aluno do governador no Espírito Santo, foi uma das justificativas apresentadas por Witzel para explicar como depositou R$ 215 mil de recursos próprios na campanha mesmo tendo declarado à Justiça Eleitoral não ter conta bancária, seu patrimônio era apenas uma casa de R$ 400 mil, não vendida. Ele afirmou que o dinheiro veio de luvas pelo ingresso em dois escritórios de advocacia, sendo um deles o de seu atual secretário.

Witzel também afirmava durante a campanha que era sócio de Tristão, embora a relação nunca tenha sido formalizada à OAB-ES, responsável pelo registro de escritórios de advocacia.

Ligações perigosas

No período eleitoral, a Atrio Rio, empresa controlada por um filho de Mário Peixoto, contratou o atual secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Lucas Tristão, braço-direito do governador Wilson Witzel, à época coordenador da campanha do governador, como advogado num processo contra o estado. Tristão também tem bons contatos no Norte Fluminense, sendo próximo ao deputado federal Wladimir Garotinho que o trata com grande intimidade, deixando de lado as formalidades de praxe para se usar com um secretário de Estado.

“Lucas” & Wladimir

Wladimir Garotinho, o anfitrião favorito de Tristão na região

No dia 14 de janeiro de 2019, quando o secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Lucas Tristão, cumpriu agenda na região em visita articulada pelo deputado federal Wladimir Garotinho, que o acompanhou por Macaé e Quissamã, o campista declarou:“A gente viu por muito tempo os governadores comandando só para o Rio de Janeiro, e eu, como único deputado federal eleito da região, fiz questão que o Lucas (sic) conhecesse os projetos importantes”.

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