Preços deixam indigestos os alimentos prediletos dos brasileiros

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A sensação de que todo mês o carrinho de supermercado ficava mais caro foi real em 2020. Os preços dos alimentos terminaram em média 16,12% mais caros.

Arroz com feijão nas alturas

Mas a alta é bem maior para itens presentes na maioria dos pratos dos brasileiros. O arroz subiu 77% entre janeiro e dezembro, feijão 20%, carne de segunda 33% e o óleo de soja teve a maior disparada: 115%.

Óleo de soja e arroz lideraram aumentos

A inflação dos alimentos subiu três vezes mais que o índice geral acumulado no ano passado, de 5,62%. Os números que traduzem o que os consumidores sentiram no bolso são do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) medido pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e divulgado ontem.

O coordenador da pesquisa, Guilherme Moreira, destaca que os alimentos são dois terços do índice de inflação geral do ano passado. Ele lembra que vivemos um ano atípico, com primeiro semestre em deflação para muitos itens e o segundo em disparada dos preços após a flexibilização dos serviços fechados na pandemia.

Alta do dólar na mesa do brasileiro

Entre o principal fator apontado por Moreira para a alta localizada nos alimentos está a desvalorização do real frente ao dólar, com incentivo às exportações. “O efeito do câmbio e das exportações pegou exatamente os itens que tem peso grande na alimentação das pessoas.” Para este ano, o economista diz acreditar em estabilidade. “Não teremos nova valorização do dólar dessa magnitude em 2021. A segunda coisa é que os preços já estão muito elevados. Não tem margem para subir muito mais.”

O instituto da USP é um dos primeiros a divulgar seus dados sobre inflação. A taxa oficial do país, medida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), será conhecida na terça-feira.

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