Índio da Costa deixa presidência estadual e sai do PSD contra entrada de Wladimir

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O ex-deputado Índio da Costa, presidente estadual do PSD até ontem, o pediu para sair da presidência e desfilou do partido por não concordar com a filiação ao PSD do deputado federal Wladimir Barros Assed Matheus de Oliveira, vulgo Wladimir Garotinho, filho de Garotinho e Rosinha.

“PSD não se conectou com as ruas e ruma no caminho oposto ao que a sociedade deseja”

Em carta ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab publicada em seu perfil no Facebook, o ex-candidato ao governo do Rio deixa claro que tomou essa decisão por não compactuar com a filiação do deputado Wladimir Garotinho, que leva na bagagem o fardo pesado do nome do pai.

Índio afirma que tinha orgulho de “participar de uma nova formação política partidária”, porém “recentes filiações no partido sinalizam que o PSD não se conectou com as ruas e ruma no caminho oposto ao que a sociedade deseja”.

O moço quer “ouvir pessoas que mesmo fora da política partidária queiram contribuir para um país melhor” e acredita “que o espaço para isso hoje não necessariamente seja um partido político”.

Carta de Índio da Costa

Ontem, renunciei à presidência do PSD e me desfilei do partido porque não compactuo com a filiação do deputado federal, filho do ex-governador Garotinho no PSD. Torno pública minha carta de desfiliação:

 Rio de Janeiro, 12 de março de 2019

Ao Presidente Gilberto Kassab,

A formação do PSD, em 2011, me encheu de orgulho e esperança. Orgulho de participar de uma nova formação política partidária. E, esperança de mudar a forma de se fazer política no Brasil, mas principalmente no Rio de Janeiro.

Em junho de 2013, as ruas cobraram novos caminhos a se seguir. Tentei mostrar ao partido que poderíamos seguir novo rumo em 2014, mas fui vencido. Acabei submetido à lógica partidária.

Em 2016, enfrentamos juntos enorme crise interna e sou grato pela sua atitude de garantir candidatura própria ao PSD do Rio, com isso dobramos a bancada de vereadores.

Em 2018, seguimos na busca de fortalecer uma cultura partidária, com base em propostas consistentes, princípios e valores que fossem permanentemente conectados à sociedade.

Nesta jornada de 2018, montamos um time de candidatos e elegemos, pelo PSD do Rio de Janeiro, 4 deputados estaduais, 3 deputados federais e um senador.

No entanto, recentes filiações no partido sinalizam que o PSD não se conectou com as ruas e ruma no caminho oposto ao que a sociedade deseja.

Entre a presidência estadual do partido e a coerência, fico com a coerência. Por isso, presidente, renuncio à presidência do PSD-RJ e comunico minha desfiliação do partido.

Em tempos de tanta instantaneidade, vivo um momento de me reconectar aos objetivos que me levaram a entrar para a política em 1992.

Dedicarei meu tempo aos estudos e ao diálogo. Quero ouvir pessoas que mesmo fora da política partidária queiram contribuir para um país melhor. Acredito que o espaço para isso hoje não necessariamente seja um partido político.

Aos amigos que ficam no PSD, agradeço a convivência e o aprendizado.

Desejo sorte,

Indio da Costa.

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