Estudante preso por erro de reconhecimento facial quer indenização de US$ 1 bilhão da Apple

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O jovem estudante Ousmane Bah, de 18 anos, de Nova York (EUA), foi injustamente preso as 4h da madrugada em sua casa sob a acusação de ter assaltado lojas da Apple em quatro estados americanos e entrou com uma ação contra a Apple pedindo uma indenização de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 4 bilhões) .

Ele teria sido preso por conta de um erro no sistema de reconhecimento facial utilizado para analisar as imagens obtidas pelas câmeras de segurança das lojas.

Junto ao mandado de prisão foram anexadas fotos que não eram dele, segundo afirma.

Big Brother

A Apple nega que use a tecnologia para reconhecer pessoas nas lojas, mas no processo, a defesa do estudante lembra que a empresa incluiu em 2017 o sistema de reconhecimento facial em aparelhos do modelo X, com o objetivo de garantir a identidade do dono do aparelho na hora de desbloqueá-lo.

Também diz na ação que o tipo de uso que a Apple estaria fazendo da tecnologia nas lojas levaria a um estado de vigilância comparável ao descrito pelo escritor George Orwell, autor do livro 1984.

Bah reclama de a Apple ter colocado mais confiança no sistema do que a merecida, pois, segundo afirma na ação, uma comparação feita por humanos das imagens do estudante e do suspeito teria comprovado que são pessoas diferentes.

Humilhação pode custar caro

O estudante afirma nunca ter tido problemas com a Justiça e que o caso abala sua reputação, seu principal ativo para o futuro, e o deixa humilhado, assustado e profundamente preocupado.

No processo, a defesa de Bah aponta que John Reinhold, detetive do departamento de polícia de Nova York, reconheceu que ele não era o suspeito dos crimes. Também disse ter visto vídeos do sistema de vigilância da Apple.

Ao estudante, Reinhold teria confirmado o uso do sistema de reconhecimento da Apple. Também levantou a hipótese de que o ladrão real tenha usado uma carteira de motorista provisória de Bah, com o objetivo de se passar por ele, que não continha foto, o que teria gerado a confusão.

Questionado, o detetive disse que, tecnicamente, a Apple não usa reconhecimento facial na loja, mas, sem dar detalhes, confirmou que as informações presentes no processo estão certas – o que pode indicar que a verificação das imagens tenha sido feita por uma outra companhia da qual a Apple é cliente.

As promotorias de Nova York e de Boston retiraram as acusações contra o estudante, mas ele ainda enfrenta acusações em Nova Jersey.

A Apple não quis comentar o caso.

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