Delação de Edmar: STJ afasta Witzel por 180 dias e prende pastor Everaldo

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Aliado afastado e “padrinho” preso

Os estilhaços da última bomba de corrupção que explodiu no governo do Rio de Janeiro continuam atingindo a cidade de Campos, especialmente o deputado federal Wladimir Garotinho (PSD).

Witzel e o aliado Wladimir

Após ter sido citado na denúncia do Ministério Público Federal por intermediários de Mário Peixoto como tendo recebido cargos, e o Hospital de Campanha do Estado em Campos ser desmontado por denúncias de corrupção, com a prisão do seu parceiro para trazer a obra para o município o ex-secretário Edmar Santos, nessa sexta-feira, o deputado viu o seu aliado governador Wilson Witzel ser afastado do cargo pelo STJ por 180 dias, e o seu “padrinho” no governo estadual, o pastor Everaldo Dias Pereira ser preso.

Parceria de Edmar Santos com Wladimir Garotinho teve vida curta

Vassourada da Polícia Federal

Foi deflagrada na manhã de hoje (28) a Operação Tris in Idem, um desdobramento da Operação Placebo, que investiga atos de corrupção em contratos públicos do governo do Rio de Janeiro. A ação autorizada pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves incluiu o afastamento do governador Wilson Witzel por 180 dias.

Participaram da operação procuradores do Ministério Público Federal (MPF), policiais federais e auditores da Receita Federal, para cumprir 17 mandados de prisão, sendo seis preventivas e 11 temporárias, e 72 de busca e apreensão em endereços ligados à cúpula do governo fluminense. Além do governador, estão entre os investigados o vice-governador, Cláudio Castro e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerg), André Ceciliano.

Até no Uruguai

Foram cumpridos mandados no Palácio Laranjeiras, no Palácio Guanabara, na residência do vice-governador, na Alerj e em outros endereços nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, de São Paulo, Alagoas, Sergipe e Minas Gerais e no Distrito Federal. Há, ainda, um endereço no Uruguai, local onde estaria um dos investigados que teve prisão preventiva foi decretada.

Três quadrilhas loteavam o Estado

A investigação aponta que a organização criminosa instalada no governo estadual a partir da eleição de Witzel se divide em três grupos, para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos liderados por empresários. Os grupos teriam loteado as principais secretarias para beneficiar essas empresas.

Em outro inquérito, o ministro do STJ Jorge Mussi autorizou 12 mandados de busca e apreensão no estado do Piauí, relativos a um suposto esquema de funcionários fantasmas no governo fluminense.

Deputados envolvidos no esquema

Segundo o MPF, o principal mecanismo dos grupos era o direcionamento de licitações de organizações sociais e a cobrança de um percentual sobre pagamentos das empresas fornecedoras do estado, feito mensalmente a agentes políticos e servidores públicos da Secretaria de Saúde. Entre as operações suspeitas está a contratação da Organização Social Iabas para gerir os hospitais de campanha montados para atender pacientes da covid-19.

Foi apurado também que alguns deputados estaduais podem ter se beneficiado de desvios de dinheiro de sobras dos duodécimos do Poder Legislativo. Os valores eram depositados na conta do Fundo Estadual de Saúde, de onde eram repassado para os Fundos Municipais de Saúde de municípios indicados pelos deputados, de onde recebiam de volta parte dos valores.

Mais uma primeira dama envolvida

A Procuradoria-Geral da República ofereceu hoje (28) denúncia no caso de pagamentos feitos por empresas ligadas a Mário Peixoto e da família de Gothardo Lopes Netto ao escritório de advocacia da primeira-dama, Helena Witzel. Segundo a acusação, o esquema transferia recursos indiretamente desses empresários para o governador.

Foram denunciados o governador Wilson Witzel, a primeira-dama Helena Witzel, Lucas Tristão, Mário Peixoto, Alessandro Duarte, Cassiano Luiz, Juan Elias Neves de Paula, João Marcos Borges Mattos e Gothardo Lopes Netto.

Nota da defesa

Em nota, a defesa do governador Wilson Witzel informou que “recebe com grande surpresa a decisão de afastamento do cargo, tomada de forma monocrática e com tamanha gravidade”. Os advogados estão aguardando para ter acesso ao conteúdo da decisão “para tomar as medidas cabíveis”.

Para entender melhor o DNA da questão

O Pastor Everaldo teve a sua carreira impulsionada exatamente por Garotinho. Seu primeiro cargo público veio com a eleição de Garotinho ao governo do RJ, quando foi agraciado com uma nomeação para subchefe da Casa Civil, sendo responsável por ajudar a implementar o primeiro bolsa família do Brasil, o “cheque cidadão”. Depois disso, incentivado por Garotinho, filiou-se ao PSC. Por essa legenda se candidatou e ficou como segundo suplente do senador Jorge Picciani. Atualmente é presidente do PSC.

Everaldo abriu as portas do governo Wiltzel para Wladimir

Mantendo estreitos laços com a família Garotinho desde a década de 90, ele e Garotinho sempre mantiveram a grande afinidade que fez o pastor Everaldo abrir as portas e as janelas para Wladimir Garotinho se acomodar no governo Witzel

Pastor Everaldo preso nessa sexta-feira pela PF

Uma figura que tem fugido da mídia como o diabo foge da cruz, atualmente o pastor Everaldo Dias Pereira é presidente do PSC e responsável direto por dois governos que desmoronam: o do Amazonas e o do Rio de Janeiro. Os seus dois pupilos, Wilson Lima e Wilson Witzel estão sendo tragados pelo peso das práticas antigas de Everaldo, de utilizar a máquina pública para grandes negócios. Ao eleger dois governadores no último pleito, no qual ele próprio teve um desempenho pífio como candidato ao Senado, o presidente do PSC ganhou a chave de dois cofres.

Edmar Santos, o “impoluto” secretário de Saúde, foi apresentado a Witzel pelo próprio pastor. O nome escolhido para a saúde seria outro. Só este DNA justifica tudo que vem ocorrendo na pasta, inclusive as prisões.

O sonho de Everaldo de ser o dono do Rio foi retardado por um governo colapsado financeiramente, sem dinheiro para pagar os salários, sem limites morais, com um governador cercado por bajuladores. Para compreender o que está ocorrendo realmente com o Estado, é necessário colocar o holofote no pastor Everaldo Pereira e em sua “grande obra”.

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