Arquiteto explica as razões de não ter sido construído um quebra-mar em Atafona

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Há muito tempo os apaixonados por Atafona questionam as razões de não ter sido construído um quebra-mar que impeça o avanço contínuo do mar sobre aquela praia, devastando casas, ruas e bairros.

Em resposta ao questionamento de Felício Rizzo em seu perfil do Facebook, o arquiteto Victor de Aquino deu uma explanação que pode ser útil para por fim a muitas dúvidas.

Felício Rizzo – Uma única ponderação: pelo que vemos, pelo tamanho da obra realizada em Jacaraípe, em Serra (ES) e seus grandes efeitos, resultados positivos de contenção na orla da praia. A pergunta é: O custo do beneficio é tão alto assim que inviabiliza uma imagem da nossa região praiana, no mínimo, parecida como essa?

Praia de Jacaraípe, Serra ES /Foto, via Facebook/Belezas Capixabas.

Victor Aquino (arquiteto) – Existe um ditado popular que fala: De Arquiteto, Médico e Louco todo mundo tem um pouco. Em consideração ao seleto grupo vou dar a explicação real de Atafona que tanto amamos. Em primeiro lugar, nós temos uma corrente única na costa do Estado do Rio de Janeiro que vem com força do cabo de São Thomé (Farol) e bate em Atafona. Quem segurava essa corrente? O nosso Rio Paraíba do Sul que foi perdendo as suas forças com as sangrias das últimas décadas com as novas barragens e, principalmente, Guandú, no Rio de Janeiro, e com isso deixou de trazer sedimentos que junto com suas águas ajudavam a frear essa corrente marítima. Esse é o principal problema.

Atafona/ Foto Victor Aquino

Vamos então ao projeto pedido pelo Poder público municipal há uns 10 anos aproximadamente. Foi procurado o INPH (Instituto Nacional de Pesquisas Hidrográficas) que é o órgão mais competente que temos no país (autor dos projetos de quase todos os Portos do nosso país, incluindo o de Santos e o nosso Porto do Açu) para que fosse elaborado um projeto para se conter o avanço do mar.

Portanto, o poder público nunca ficou estático e nunca faltou vontade política para se resolver esse problema. Mas vamos ao que interessa. O projeto ficou pronto e, diferente da imagem postada, não bastaria 01 só enrocamento e sim 09.

Porque isso? Porque correríamos o risco de salvar Atafona e começar a comer do Balneário para Grussaí. Fora o fato de o mar ser da União, o projeto custa em dinheiro de hoje algo em torno de 300 a 350 milhões de reais e tem que ser feito em uma só tacada. Não pode ser feito em etapas. E com isso jamais o município terá esse recurso que corresponde a toda a sua arrecadação anual. Como iria viver?

Atafona / Foto Victor Aquino

A prefeita do município foi a Brasília no mínimo umas 05 vezes em busca de verbas para a obra (que será Federal) e pediu ajuda aos nossos Deputados Federais. O único que realmente tentou ajudar foi o Paulo Feijó.

A nossa bancada do Norte Fluminense sempre foi muito fraca e continua sendo até os dias de hoje, essa é a verdade. Sem esse recurso, essa obra nunca vai sair do papel e sempre vão aparecer pessoas com o discurso de Campos: “Dinheiro tem, falta gestão.”

Quando vamos entender que os Royalties acabaram em nossa região, e que SJB só não está com o pires na mão porque tem gestão e responsabilidade com o dinheiro público.

Temos o Porto do Açu e, antes que alguém fale alguma bobagem, ele só vai trazer dinheiro de verdade para o município após 2024, quando irá completar os 10 anos de algumas benesses que foram concedidas para termos o Porto aqui. Portanto, seja quem for o prefeito da cidade, jamais vai realizar essa obra.

Lógico que sempre virá algum candidato jovem falando que “dinheiro tem, mas que falta gestão”, mas sabemos que isso é um simples discurso irresponsável de quem não conhece a sua cidade, e não se trata da realidade atual, e aí quando assume vê que dinheiro não se tem e que a nossa realidade agora é outra completamente diferente de uma década atrás.

Espero ter esclarecido e ainda esqueci de relatar que também temos um relato do Dr. Paulo Cesar Rosman, da COPE do Fundão, que é considerado a maior assumidamente em engenharia costeira do Brasil com especialização na costa fluminense que desaconselha a obra por não se ter certeza da sua eficácia sem maiores consequências para São Francisco e até mesmo Grussaí.

Qualquer outra coisa fora disso é falácia. Falo tranquilamente sobre esse fato porque fui eu que fui à COPE atrás de uma solução para a praia que tanto amo.

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