A culpa é dos outros…

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Muita gente está imaginando o que estará levando Rosinha e Garotinho a divulgar como bomba as declarações prestadas em 2016 pela delegada Carla de Melo Dolinski, titular da PF em Campos à época, à Corregedoria da Polícia Federal durante o curso da Operação Chequinho.

Rosinha prestigiando a posse da delegada Federal Carla Dolinski, agora divulgada como denunciante dos seus desafetos

O seu relato, agora requentado por Rosinha e Garotinho, foi levado pelo Ministério Público ao Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) que, após análise minuciosa, decidiu, em 15 de janeiro deste ano, pelo arquivamento das denúncias da delegada em uma decisão do desembargador Carlos Santos de Oliveira.

Relato arquivado e delegada processada

As acusações contra os delegados federais Paulo Cassiano Jr e Marco Aurélio Pereira Reis Júnior, o promotor de Justiça Leandro Manhães e o juiz Glaucenir de Oliveira foram investigadas na época, apesar de a delegada da Polícia Federal Carla de Melo Dolinski estar respondendo por peculato, falsidade de documento público, ação de improbidade, desobediência e processo administrativo.
Atualmente a delegada está afastada por motivos de saúde, e o arquivamento foi determinado pelo desembargador Carlos Santos de Oliveira por “ausência de justa causa para a persecução penal”.
Então fica a questão: o que estará motivando Rosinha e Garotinho a requentar e anunciar com estardalhaço esse material já arquivado pela justiça?

Desespero

O fato é que Garotinho, apesar de todas as chicanas judiciais, continua condenado a quase dez anos de cadeia (nove anos, 11 meses e 10 dias de reclusão, além de multa de R$ 210.825,00) por conta da Operação Chequinho e, dia menos dia, poderá ser obrigado a cumprir a sua pena. Além disso, Rosinha, já condenada eleitoralmente, ainda aguarda a sua sentença penal.
O que leva à conclusão de que a “bomba” requentada é uma desesperada tentativa de tentar desqualificar a Operação Chequinho, e o próprio processo que condenou Garotinho, para tentar fugir da responsabilização que se aproxima a cada dia mais do casal.

Medo de cadeia

Rosinha e Garotinho, que já provaram o amargo sabor da cadeia, estão em total desespero, e agravado pelo grande potencial de condenação penal ainda por vir da “Operação Caixa D’Água”.
Como muito sabiamente diz o povo da Baixada Campista: “Cachorro mordido de cobra tem medo de lingüiça…”

“Não há como escapar”

“Quanto à investigada Rosângela Rosinha Garotinho Barros Assed Matheus de Oliveira, não é crível, nem lógico, que tenha sido alijada do processo decisório que resultou no esquema fraudulento com o programa Cheque Cidadão. De outro lado, mesmo que se admita, por suposição, essa possibilidade, não há como escapar do juízo de responsabilidade que advém de sua flagrante omissão, ao permitir tamanha violação aos cofres públicos do município que comandava”. (Eron Simas – Juiz Eleitoral)

A verdadeira “bomba” de Rosinha

O que não está sendo divulgado pelo casal Rosinha e Garotinho é que a verdadeira “bomba” de Rosinha é o milionário rombo do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Campos, o já lamentavelmente famoso PreviCampos, que deverá explodir no colo do seu primo Nelson Afonso Oliveira, ex-presidente do PreviCampos durante o período investigado pela “Operação Encilhamento”, desdobramento da “Operação Papel Fantasma”.
A ação foca na apuração de fraudes nos institutos de previdência municipais com a utilização de operações financeiras em fundos de investimento que atuam com debêntures sem lastro emitidas por empresas de fachada.

Prejuízo às aposentadorias dos servidores

O esquema era simples, os administradores criavam empresas de fachada e aplicavam o dinheiro dos trabalhadores de organizações públicas. Mas as empresas não possuíam capital suficiente, e o trabalhador, que contava com a aposentadoria, acabava com prejuízo, já que as empresas iam à falência sem ter recursos para o pagamento.
De 2 a 12 anos de prisão
Os investigados poderão responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro, com penas de 2 a 12 anos de prisão.

Cerca de 400 milhões de rombo no PreviCampos

O Instituto da Previdência dos Servidores do Município de Campos dos Goytacazes (Previcampos) sofreu perda na carteira de investimentos em R$ 383.432.979, 49 e, também, da classificação como investidor qualificado. O dado consta na auditoria geral determinada pelo prefeito Rafael Diniz nas contas Instituto, que identificou, pelo menos, 20 irregularidades. O levantamento ainda mostra que a dívida da Prefeitura de Campos com o PreviCampos é de R$ 181.653.455,34.

Precedente

Se acontecer como no caso de Alcione Oliveira Athaíde, irmã de Nelson Afonso Oliveira, também prima de Garotinho, e ex-Subsecretária de Assistência à Saúde do governo de Rosinha à frente do Estado, ele poderá ser responsabilizado sozinho, já que a ex-prefeita, mesmo como ordenadora de despesas em seus governos, não assume as responsabilidades por eventuais irregularidades administrativas das suas gestões, deixando o ônus para seus comandados.

Para relembrar

A operação “Pecado Capital”, do Ministério Público/RJ, que teve como objetivo desarticular uma quadrilha suspeita de desviar mais de R$ 60 milhões destinados ao projeto “Saúde em Movimento”, realizado em 2005 durante o governo Rosinha no Estado do Rio, apurou fraudes em licitações, com a contratação irregular de pessoas jurídicas, cuja única participação em todo o processo era emprestar o nome e contas bancárias para o desvio de dinheiro público a título pessoal, ou para o custeio de campanhas eleitorais, durante a gestão de Rosinha Garotinho como governadora do Estado do Rio de Janeiro, que levou à cadeia dezenas de pessoas, entre elas a ex-deputada Alcione Oliveira Athaíde, prima de Garotinho, indicada, por ingerência dele, à época como Subsecretária de Assistência à Saúde do governo da esposa.
De acordo com as investigações, em 2005 e 2006, verbas públicas foram desviadas por meio de contratações ilícitas para a execução de projetos vinculados à Secretaria estadual de Saúde. A organização não-governamental Fundação Procefet, contratada sem licitação, teria recebido mais de R$ 200 milhões.

A culpa é dos outros…

Em nota, a ex-governadora Rosinha Garotinho garantiu que não houve nenhuma irregularidade em sua gestão, mas que se algum subordinado cometeu qualquer crime, que ele seja investigado e devidamente punido.

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