Pelourinho, você não imagina em quanto sofrimento está pisando nesse local…

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Por: Simone Martins e Matheus Venancio

“… choro, gritos, gemidos, suplicas e dor, sim a dor em seu extremo de ser sentida…”

Marco de resistência negra em todo o país, o pelourinho trás em si uma rica e sublime história. Este instrumento era o lugar onde o rei afixava as suas ordens, às sentenças dos assassinos eram exibidas, pois o nome pelourinho pelo dicionário significa lugar de assassinos.

Todos os negros escravizados eram castigados no pelourinho?

Vejamos a diferença de tronco para pelourinho: 

Tronco – foi o nome dado a um instrumento de tortura e humilhação que era construído pelos senhores nas fazendas.

O tronco era onde o pior em relação à humilhação poderia acontecer, sem direito à defesa. Os negros escravizados não tinham direitos, apenas o de serem castigados por motivos que bem fossem delimitados pelos senhores.

Pelourinho – Eram colocados no centro das cidades, onde as ordens reais eram expostas, como também as sentenças de morte e vendas de negros escravizados. No pelourinho, tanto negros escravizados, brancos ou índios que fossem considerados assassinos eram punidos.

A diferença crucial era que os negros, por serem escravizados, tinham pouco direito de defesa.

E em Campos dos Goytacazes?

“Em Campos houve dois pelourinhos: o primeiro, no cruzamento das ruas 13 de Maio e de 7 de Setembro, foi arrematado pelo tenente Inácio Gonçalves Pereira.” (Feydit)

O segundo, depois de ser fixado em vários lugares, hoje, encontra-se localizado em frente à Caixa Econômica Federal.

Nômade

Durante muitos anos o Pelourinho serviu como pedestal da cruz no Cemitério do Caju
Durante muitos anos o Pelourinho serviu como pedestal da cruz no Cemitério do Caju

Em 1875 o pelourinho saiu do centro de Campos para servir como pedestal da cruz do recém inaugurado cemitério do Caju. Com a inauguração do antigo Corredor Cultural de Campos, o pelourinho foi removido do cemitério e instalado nesse novo local.

Com o passar dos anos, ele novamente foi removido para o seu local de origem, através de uma denúncia feita pelo jornalista Orávio de Campos junto ao jornal a Folha da Manhã, com o intuito de salvar o pelourinho que quase foi perdido. Depois de restaurado, ele foi tombado como Patrimônio Material da Cidade de Campos dos Goytacazes, pelo COPPAM, em 2011.

Muita gente circula por aqui sem ao menos imaginar que o local foi palco de tanto sofrimento
Muita gente circula por aqui sem ao menos imaginar que o local foi palco de tanto sofrimento

Atualmente muitas pessoas param, conversam, ou sentam na pequena amurada para esperar alguém, sem imaginar que naquele mesmo local muitos foram mortos sem motivo.

2 Comentarios

  1. Deveria ser um local de respeito e de muita Oração!
    Parabéns ao jornalista Orávio de Campos que conseguiu
    retornar ao local de origem o Pelourinho!
    Como disse Jesus na hora de sua morte:PAI perdoai-os
    porque não sabem o que fazem!