Médicos doentes na rede pública municipal, mas saudáveis na rede particular

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Em uma reportagem exclusiva a Inter TV Planície trouxe à tona o lado obscuro de uma parcela dos médicos que atendem na Saúde Pública Municipal, que se esquivam de cumprir suas jornadas de trabalho no atendimento a população utilizando do artifício de, ironicamente, apresentarem atestados médicos.

Doentes na rede pública, saudáveis na particular

A reportagem apurou que nos últimos dois meses os profissionais médicos com maior número de atestados para afastamento do trabalho público, mantinham normalmente o atendimento na rede particular e em seus consultórios, muitos deles aproveitando as “folgas” para participar de congressos médicos fora do município, com ampla e desinibida divulgação em suas redes sociais.

Useiros e vezeiros

Dados obtidos através da Lei de acesso à informação mostraram a ausência de 16% dos médicos concursados em 2019, com considerável aumento em relação a 2018.

A apuração também mostra que foram apresentados 524 atestados em 2019, por apenas 207 médicos, somando 11.688 dias de ausência, mais 40% de faltas por atestado médico do que em 2018.

Apenas no início de 2020, 19 médicos já solicitaram 22 pedidos de afastamento

Com exemplos, péssimos exemplos, por sinal, um dos profissionais médicos, lotado na Unidade de Pré-Hospitalar (UPH) São José, apresentou atestado em 02 de julho de 2018, mas após duas semanas, participava de um curso em Araçatuba (SP). Durante os seus cinco meses de ausência esse médico participou de esteve em congressos, no Rio Grande do Sul, e trabalhou normalmente em uma unidade de Itaperuna, além de demonstrar estar em excelente estado de saúde praticando artes marciais.

E não para por aí. Uma médica pediatra, que solicitou dispensa por 60 dias apresentando quatro atestados consecutivos, e, no dia seguinte a apresentação do primeiro participava de uma aula de mestrado em Cabo Frio. Além disso, muito bem disposta, ela continuou atendendo em seu consultório particular e lecionando em uma universidade de Itaperuna.

Revéillon contagioso

Mas o período de festas de final de ano parece ter feito muito mal à saúde dos médicos da Saúde Pública. Cerca de duas dezenas de médicos apresentaram atestado entre as festas de final de ano e meado de janeiro.

É crime

Quem apresenta atestado médico falso incorre no crime de falsidade ideológica, que pena prevista de um a cinco anos de prisão. Da mesma forma, quem emite atestado falso também comete crime passível de pena de um mês a um ano de reclusão em regime fechado.

Nota da Prefeitura

Em nota, a prefeitura de Campos informou que “a apresentação de atestado médico pelos servidores públicos da Administração Direta é regulamentada pela portaria nº 440/2017 e a Prefeitura de Campos segue as diretrizes que constam nesta portaria. Se comprovada qualquer irregularidade, seja através de análise dos Departamentos Pessoais, de Recursos Humanos ou através de denúncia, será instaurado um inquérito administrativo contra o servidor que poderá resultar até em sua exoneração.

Com informações da Inter TV Planície e Folha da Manhã

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