Lyra de Apollo ressurge das cinzas

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Esta semana os campistas tiveram a alegria de ver a recolocação de uma das liras do alto das torres da histórica sede da Sociedade Musical Lyra de Apollo, na Praça São Salvador, que vem sendo restaurada desde o incêndio em 1990.

A Lyra de Apollo ressurge

Ricardo Azevedo, Presidente e Regente da Lyra de Apollo – fundada em 19 de maio de 1870 (149 anos, que sofreu um incêndio em 19 de Novembro de 1990, conseguiu com recursos próprios, investir 01 milhão de reais, desde 2012.

E ressurge esplendorosa

A lira no topo da edificação, no centro de Campos, está sendo reinstalada, reproduzindo fielmente a original.
A restauração foi feita pelo artesão mineiro João Batista Teixeira, que também realizaou diversos trabalhos em igrejas de Minas Gerais e no Rio de Janeiro, inclusive, no Teatro Municipal.
Nesta próxima semana, será instalada a segunda lira, no torreão do lado esquerdo do prédio histórico.
Após o Carnaval serão recolocadas as portas frontais no andar superior, reproduzindo, também, as que haviam sido consumidas pelas chamas.
Além disso, o maestro e Presidente da Lyra Apollo, Ricardo Azevedo, Presidente e Regente da Lyra de Apollo, já conseguiu restaurar a escadaria, o assoalho, em madeira “rouxinho” (como o original), o teto, a estrutura metálica e as telhas francesas.
Ele é um exemplo para a posteridade, mesmo sem o apoio do poder público, daqueles que amam a cultura e a história da terra campista.
Aldefran Lacerda/jornalista

Importante patrimônio histórico, cultural e arquitetônico

O edifício sede da Sociedade Musical Lyra de Apollo, integra um grupo de quatro importantes imóveis, tombados pelo INEPAC – Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, no centro histórico da cidade de Campos dos Goytacazes. O Solar do Visconde de Araruama, o Hotel Gaspar e o edifício da Lyra de Apollo localizados ao redor da praça São Salvador, contam também com o Hotel Amazonas, em rua adjacente. A Sociedade Musical Lyra de Apollo foi fundada em março de 1870. O edifício, foi construído com donativos dos seus associados, inaugurado em 1912 na praça São Salvador, no coração da cidade, na lateral da igreja Matriz. Sobressai do conjunto arquitetônico eclético remanescente na praça pelo tratamento mais elaborado de sua fachada e pelos dois telhados pontiagudos, arrematados por uma lira estilizada. Em 1990, um incêndio no prédio destruiu seu interior e cobertura.
Sempre viva
Depois do incêndio que causou grande prejuízo ao prédio da Lyra de Apollo, no Centro de Campos, em 1990, os músicos da banda não perderam as forças e passaram os anos seguintes ensaiando em locais distintos, sendo duas décadas de ensaios no calçadão, em frente ao imóvel. Desde 2013, os sons dos instrumentos musicais são ouvidos já de dentro do prédio, mas no primeiro piso, já que as escadas que dão acesso ao segundo andar foram destruídas pelas chamas em 1990, impossibilitando a subida para a parte de cima, onde ocorriam os ensaios antes do acidente — que teria sido causado por um curto circuito. E 2012 foi o ano em que o lugar começou a passar por restauração, tendo, nesse ano, sido colocado o telhado, possibilitando as preparações da banda — fundada em 19 de maio de 1870 — no primeiro andar, no ano seguinte. Mas a previsão é que os músicos voltem a ensaiar no segundo andar em março. Isso porque as escadas que levam ao segundo piso estão passando por restauração e a previsão de término é fevereiro de 2018.
Ricardo também lembrou a importância da Lyra.
— Ela é muito importante para a história não só de Campos, mas para o Estado e para o país. A Lyra participou ativamente da história desta cidade. Ela trabalhou muito na campanha abolicionista. A banda ainda tocou quando foi fundado o Clube das Mulheres, com as presenças de José do Patrocínio e Carlos de Lacerda, tocou para o imperador D. Pedro II em 1882, recepcionou o compositor Carlos Gomes em Campos, tocou na chegada de João Goulart, no Rio. São várias conquistas. A Lyra de Apollo completa 149 anos em maio de 2019. É uma história que dá orgulho.
Aos 78 anos, Ricardo Azevedo conta que se sente orgulhoso da história da Lyra e que está feliz por ver o prédio passando por restauração.
— Para mim, é muito gratificante. Eu comecei nesta banda com 13 anos. A Lyra representa tudo na minha vida. É ótimo estar vendo a gente conseguir recuperar nosso espaço.
Com Informações Arquivo Folha 1

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