Delatores da Odebrecht repetem ao MP local propinas de milhões a Rosinha e Garotinho por “Casinhas”

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O Telhado de Barro de Rosinha e Garotinho começa a desabar

Em depoimento ao Ministério Público Estadual em Campos, os delatores da Odebrecht repetiram o relato que a Odbrecht teria pago 20 milhões de propina ao casal Rosinha e Garotinho, cinco milhões em cada eleição de Rosinha a prefeita e 10 milhões para fracassada campanha de Garotinho a governador. A licitação de cartas marcadas do bilionário programa “Morar Feliz” (“Casinhas de Rosinha”) teria sido a principal moeda de troca com a empresa.

Ex-prefeita Rosinha causada de receber milhões em propinas da Odebrecht por obras das "Casinhas"
Ex-prefeita Rosinha causada de receber milhões em propinas da Odebrecht por obras das “Casinhas”

 A confirmação da delação à Lava Jato do Superintendente da Odebrecht no Rio de Janeiro, Leandro Azevedo e de Benedicto Júnior, chefe Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, foi publicada nesse domingo em primeira mão na edição impressa da Folha da Manhã.

Revista Somos Assim denunciou a péssima qualidade das obras a um preço altíssimo

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Veja abaixo a delação na Java Jato, confirmada agora ao Ministério Público/RJ em Campos, publicada anteriormente pelo Somos e uma histórica reportagem da Revista Somos falando sobre a estranha construção das casas do Morar Feliz, sem colunas de concreto ou alicerce, o “Telhado de Barro” de Rosinha e Garotinho, que agora começa a desabar. Confira no fim dessa reportagem, ou AQUI.

Publicado no Somos

A explicação da “Bondade” de Rosinha e Garotinho com a Odebrecht

O Superintendente da Odebrecht no Rio de Janeiro, Leandro Azevedo, que assinou o bilionário contrato das “Casinhas” com Rosinha, delatou na Laja Jato que fez pagamentos milionários a Rosinha e Garotinho (PR), repetindo o que já havia sido dito pelo delator Benedicto Júnior, chefe Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, mas Leandro foi ainda mais adiante afirmando que os valores chegaram a 20 milhões de reais

Distribuídos por três eleições: duas de Rosinha à Prefeitura de Campos, em 2008 e 2012; e uma de Garotinho ao Governo do Estado, em 2014. Veja abaixo alguns trechos do depoimento:

 Leandro Azevedo Superintendente da Odebrecht no Rio de Janeiro

…”Havia tido uma reunião com o ex-governador Anthony Garotinho e nessa reunião o ex-governador havia pedido uma contribuição eleitoral para a candidatura de Rosinha Garotinho que seria candidata a prefeita de Campos. O Benedicto Júnior, então, fechou acordou com ele o valor da doação que a Odebrecht ia fazer. Eu me lembro que era mais ou menos em torno de R$ 5 milhões, que esse valor seria pago através de caixa dois. Dinheiro não contabilizado…”

 …”Em 2014, ele foi candidato a governador e eu já era diretor-superintendente. O Benedicto Júnior me chamou mais uma vez para uma conversa…”

 … “O Benedicto Júnior aceitou a combinação de valores de campanha. Foi em torno de R$ 10 milhões para a campanha de governador…”.

 … “Um dos primeiros editais que ela homologou logo depois da eleição foi um edital para a construção de 5.100 casas populares. No valor mais ou menos de R$ 357 milhões. Isso chamou minha atenção porque casas populares geralmente você vê no mercado sendo construídas em vários lotes e aqui foi feito em lote único e a esse valor. Isso fazia com que as empresas pequenas não tivessem condições de participar”…

 …“Em 2012, a prefeita Rosinha foi reeleita e ela lançou um segundo programa chamado ‘Morar feliz 2’. Foi uma nova licitação. Nessa licitação nós participamos sozinhos, sem ninguém. Se a Odebrecht não tivesse participado, ia dar vazio. Eu fiz o ‘Morar feliz 1’. A gente tinha uma equipe mobilizada, tinha uma expertise em construir casas. Então, ela lançando um projeto desses, é óbvio que eu ia participar do ‘Morar feliz 2’. O valor foi um pouco maior, foi R$ 476 milhões”…

Benedicto Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura

…”No período que eu fui diretor superintendente da Odebrecht no Rio de Janeiro eu construí uma relação pessoal com o governador Anthony Garotinho que eu mantive nos últimos quatro anos, o que permitia que ele tivesse acesso a mim direto, o que permitia durante os períodos eleitorais fazer pedidos de doação para seu grupo político. Grupo político que ele se identifica através da própria Rosinha e dos candidatos federais que ele apóia”…

 … “Então, especificamente no ano de 2008, o governador me procurou, fui a reunião pedida por ele no escritório dele na Conde Lages, aonde ele me fez um pedido e a gente fez uma doação para a campanha da dona Rosinha de R$1 milhão, que foi feito de forma via caixa dois no Sistema de Operações Estruturadas da Odebrecht e pagos diretamente as pessoas indicadas pelo Dr. Garotinho”…

 “Houve outros pagamentos. Ainda no âmbito de campanha principal, na campanha de 2012. Ele fez um pedido, nós fizemos uma doação nova de recursos de caixa dois de forma ilícita de 2,3 milhões de reais para campanha de releição da dona Rosinha Garotinho. Em 2010, para sua campanha de deputado federal de R$ 1,2 milhões também de Caixa Dois vindo do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. E na sua última campanha, que foi a campanha dele para governador em 2014, nós fizemos uma doação de 7,5 milhões para a campanha dele via Caixa Dois”…

Somos Online em 12 de abril de 2017:

Segundo as delações premiadas dos ex-executivos da Odebrecht Benedicto Barbosa da Silva Júnior e Leandro de Andrade Azevedo, Garotinho recebeu dinheiro de caixa dois da empresa para a sua campanha de governador em 2014.

Leandro Azevedo ainda afirma que Garotinho e Rosinha receberam R$ 9,5 milhões em três eleições e que cultivava uma relação bem próxima a Garotinho que, assim, negociava sem burocracia: “Presenciei, algumas vezes, Garotinho telefonando para os secretários da Fazenda do Município durante a gestão de Rosinha em Campos (…) e pedindo que tivéssemos preferência na regularização dos pagamentos em atraso”.

“Os delatores ainda disseram que Rosinha recebeu recursos de caixa dois para as campanhas à Prefeitura de Campos dos Goytacazes (RJ) em 2008 e 2012.”

Revista Somos Assim em 21 de fevereiro de 2010:

“Telhado de Barro, quem saiu ganhando e quem saiu perdendo nessa história imoral”

Confira na íntegra AQUI

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