Por arrego do advogado da Chequinho, presidente da OAB/Campos quer censurar Somos

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Em abordagem equivocada, Pres. da OAB/Campos exige censura da Somos

Em carta ao site Somos Online, o Dr. Humberto Samyn Nobre Oliveira, Presidente da 12ª subseção da OAB-RJ/Campos, em flagrante tentativa de censura à liberdade de imprensa e de expressão, exige que o Somos Online modifique o texto da matéria onde afirma que o milionário advogado de Garotinho Fernando Fernandes pediu ARREGO a OAB/RJ, numa tentativa de generalizar a utilização da palavra ARREGO como desrespeitosa a toda a classe, e, de quebra, ainda ameaça o órgão de comunicação com umas tais “medidas que se demonstrarem adequadas”, seja lá quais elas sejam. Confira abaixo:

Carta da 12ª subseção da OAB-RJ

Enviado em 29/05/2017, às 10:13

Prezado,

Dr. Humberto Nobre
Dr. Humberto Nobre

A afirmação de que o advogado Fernando Fernandes “Advogado de Garotinho pede arrego a OAB e representante o acompanhará em audiências” é no mínimo desrespeitosa com toda a classe. Toda vez que o advogado se sentir tolhido no exercício de sua atuação profissional tem não só o direito, mas igualmente o dever de ser auxiliado pela Ordem dos Advogados do Brasil, a única a quem cabe definir se o caso é de prerrogativas ou não.

As prerrogativas profissionais concedidas aos advogados não constituem privilégios para si, posto que muitas vezes os advogados e advogadas constituem a única linha de proteção contra a truculência da ação coercitiva do Estado.

Sem o advogado, e este sem estar munido de prerrogativas, não haveria qualquer equilíbrio de forças entre as autoridades e o cidadão, a permitir a realização de um julgamento justo e coetâneo com as leis.

Em vista do exposto, solicitamos, minimamente, a retificação da matéria, para que não passe a conter termos pejorativos em detrimento da classe dos advogados, sem embargos de outras medidas que se demonstrarem adequadas.

Atenciosamente.

Humberto Samyn Nobre Oliveira
Presidente – OAB – 12ª subseção da OAB-RJ

Caro Sr. Humberto Samyn Nobre Oliveira
Presidente da OAB – 12ª subseção da OAB-RJ

Resposta Somos Online

Foi com alguma surpresa, mas com enorme curiosidade, que recebemos a sua carta em nosso sistema de comentários do site, um canal pouco usual para comunicados que se dão ares de comunicações extrajudiciais, já que, ao pé do site, indicamos formulários próprios para contatos de outras naturezas.

ARREGO sim!

Nela somos, sem sermos assim, como fomos, acusados de termos desrespeitado toda a classe dos advogados quando citamos, única e exclusivamente, em uma matéria, o fato de o advogado de Garotinho Dr. Fernando Fernandes ter pedido ARREGO a OAB / RJ diante das recorrentes derrotas que vem sofrendo no judiciário campista.

Não obstante à sua petulância no trato para com os juízes e promotores locais, o que muito estranha a quem acompanha o desenrolar dos acontecimentos relativos às investigações, depoimentos e julgamentos da “Chequinho”, que apura e julga os eventuais crimes cometidos pelos suspeitos, e muitos deles, já condenados por envolvimento no maior escândalo de compra de votos com o programa social “Cheque Cidadão”, pago com dinheiro público.

Pois, então, diante disso, vejamos o que dizem sobre a palavra ARREGO alguns conceituados dicionários da nobre língua de Camões:

ar·re·go

sm

COLOQ Ato ou efeito de capitular, entregar-se ou render-se; capitulação, derrota, rendição.

interj

POR EXT Exprime impaciência ou impossibilidade de suportar a permanência de uma situação (por medo, irritação ou percepção de derrota iminente).

Dicionário Michaelis

ar·re·go |ê|

(talvez de arreglo)
substantivo masculino

  1. [Brasil]  .Ação de desistir ou de se render.

interjeição

  1. [Brasil]  Expressão usada para desistir ou render-se.

pedir arrego
• [Brasil]  Desistir ou reconhecer a derrota.

  • [Brasil]  Ter medo.

Priberam – Dicionário da Língua Portuguesa

Respeito aos bons advogados

Nós, da Somos Online, jornalistas profissionais no pleno exercício do nosso mister, sempre devotamos à classe advocatícia todo o respeito que ela merece. Notadamente aqueles profissionais que se mantêm a margem de simpatias partidárias e não se deixam conduzir ou se induzir por elas e por quem por elas se deixou seduzir.

Em nosso texto, que causou tanto afeto ao Sr., nobre Dr. Humberto, fomos diretos, e sem volteios, ao assunto, nos dirigindo, única e exclusivamente ao advogado Fernando Fernandes, o autor do inusitado pedido de ARREGO à OAB/RJ.

Em momento algum praticamos a generecidade na matéria, alegada e indicada como justificativa da sua missiva, em um fantasioso envolvimento da classe, contra um texto muito bem apartado disso para o leitor mais atento ou menos tendencioso.

Censura, nunca mais…

Para que fique claro por que se pode vislumbrar bastante equivocada a sua tentativa de censura às constitucionais liberdades de imprensa e de expressão, tradicionalmente defendidas pela OAB, queiramos nós, talvez, que tenha sido apenas por falta do indispensável conhecimento menos superficial do vocabulário que transcenda ao intrincado linguajar jurídico, que certamente tenha levado vossa senhoria a conceber, por si só, e almejamos que seja só por isso, que a palavra ARREGO fosse pejorativa. Levando a que nós, então, muito menos subjetivamente, tenhamos sido ameaçados por vossa senhoria no trecho da sua precipitada carta: “solicitamos, minimamente, a retificação da matéria, para que não passe a conter termos pejorativos em detrimento da classe dos advogados, sem embargos de outras medidas que se demonstrarem adequadas.”

Não arregaremos

Meu caro Dr. Humberto Nobre, que fique claro, com todo respeito que a classe dos bons advogados merece, nós, do Somos Online, não ARREGAREMOS diante de QUALQUER tentativa de censura ou cerceamento do livre exercício da nossa profissão. Venha ele de onde vier, mesmo que nos decepcionem por terem vindo de onde nunca esperaríamos que viessem tais atos de censura à democrática liberdade de expressão.

Quais crimes cometemos?

Sem desfavor das nossas liberdades constitucionais, e certos de que vossa excelência não almeja se tornar um moderno censor, solicito encarecidamente que nos aponte os graves crimes que teríamos cometido ao apontar que um advogado solicitou socorro, ARREGO urgente, sim, na boa acepção da palavra, à sua entidade de classe, ao perceber que não bastava a sua fama e petulância para atingir os seus objetivos, sejam eles nobres ou não, em nossos tribunais.

Energia mal direcionada em defesa da classe

Seria deveras interessante saber por que a conceituada entidade, representada com tanto ânimo por vossa senhoria em nosso município, quando se tratou de tentar inibir a liberdade de imprensa, não mostra a mesma tempestividade na defesa da honra da classe, colocada em risco quando um dos seus membros, de outro município, que fique claro, acusa, sem a menor prova juízes, promotores e delegados de serem torturadores, um crime abjeto e repudiado, largamente contradito nesse rumoroso caso em testemunhos de, até agora, mais de 36 pessoas.

Sempre à disposição da tradicional e nobre classe dos bons advogados de nossa Campos dos Goytacazes, aguardamos a sua resposta, caso queira, e disponibilizamos o nosso espaço para publicá-la.

 

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