Nome de Garotinho em nota fiscal de 3 milhões de propina da JBS

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Está aí uma ótima pergunta: o que estaria fazendo o nome de Garotinho (no canto superior direito do documento: “PR Garotinho 17”) em uma nota fiscal de 3 milhões de reais emitida em Campos pela empresa  OCEAN LINK SOLUTIONS LTDA, através do sistema da Prefeitura de Campos, e utilizada para pagamento de propina pela JBS.

Como foi muito bem observado pelo jornalista Ricardo André Vasconcelos em seu blog, transcrição abaixo:

“A nota fiscal com o brasão do Município de Campos dos Goytacazes que apareceu na edição de ontem do Jornal Nacional (aqui), no contexto da deleção premiada do executivo da JBS, Ricardo Saud, foi emitida pela empresa OCEAN LINK SOLUTIONS LTDA, no valor de R$ 3.004.160,00 e é referente à contratação, pela JBS S/A de serviços de consultoria, engenharia de telecomunicações e desenvolvimento de softwere. A nota fiscal consta no apenso 13 da delação premiada dos donos e executivos da JBS, homologada pelo ministro Luiz Edson Fachin, do STF, no último dia 18 de maio. Confira AQUI

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   Chama a atenção o fato de constar no canto superior direita da nota fiscal a seguinte observação: “PR Garotinho 17”. Além disso,  o documento integra a parte da delação do executivo Ricardo Saud referente ao “senador Antônio Carlos”, do PR de São Paulo. Como se sabe, o PR é presidido no Estado do Rio de Janeiro pelo ex-governador Anthony Garotinho, que à época da emissão da nota fiscal (01/09/2014) era deputado federal e candidato ao governo do RJ.

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Antônio Carlos Rodrigues era suplente de Marta Suplicy,então no PT, e assumiu a vaga em 2012 quando ela foi ministra do governo Dilma e foi reeleito como suplente da mesma Marta em 2014 na coligação PT-PR, entre outros. 

    O Blog não faz juízo de valor dessas informações, que podem ser acessadas, na íntegra, aqui, porque são públicas e disponibilizadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas podemos comemorar que a maior empresa produtora de proteína animal do Planeta e maior empresa brasileira não financeira, a JF, holding da JBF (Friboi) venha encontrar em Campos dos Goytacazes uma empresa de tecnologia de comunicações à altura de suas demandas empresariais. O Contrato, de 11 páginas também foi anexado à delação. A nota fiscal eletrônica de serviços (NFE-s número15, revela que empresa funciona no Lote 27,quadra J s/n – Parque Rosário em Campos, mas o contrato, a ser cumprido em São Paulo e rendeu de Imposto Sobre Serviços (ISS) R$ 150.208,00 à Prefeitura de Campos. No entanto, contratante e contratada escolheram o fôro de Macaé para “dirimir dúvidas oriundas do contrato. 

Em consulta à Internet, a Ocean Link Solutions Ltda, com o mesmo CNPJ que consta na nota fiscal acima, aparece com sede em Macaé (aqui) e foi aberta em 29/06/2011.

     A delação da JBS domina o noticiário político desde a última quarta-feira, dia 17, quando vazou a informação sobre a delação premiada da JBS, homologada pelo STF no dia seguinte e tendo como personagem central o presidente Michel Temer, gravado pessoalmente pelo principal executivo da JBS, Joesley Batista. Além dele e do irmão (Wesley), outros cinco dirigentes do grupo. Um deles, Ricardo Saud revelou que nos últimos anos foram distribuído,entre doações oficiais e propinas, cerca de meio bilhão de reais a cerca de 1.900 políticos, incluindo os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, o atual presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PMDB-MG)”.

Velha conhecida

A empresa emissora, OCEAN LINK SOLUTIONS LTDA, faz parte de um grupo de 13 empresas, entre elas a famosa Working, aquela que recebia todos os pagamentos da prefeitura na frente das outras, mesmo em tempos de vacas magras, e que dizem ter um jovem sócio oculto campista, o que facilitaria esse tratamento privilegiado, tipo de “pai para filho”.

O documento integra a parte da delação do executivo Ricardo Saud referente ao “senador Antônio Carlos”, do PR de São Paulo. Como se sabe, o PR é presidido no Estado do Rio de Janeiro pelo ex-governador Anthony Garotinho, que à época da emissão da nota fiscal (01/09/2014) era deputado federal e candidato ao governo do RJ.

O de sempre

Prevê-se que o ex-co-prefeito de Campos Garotinho responda a pergunta inicial tentando justificar o seu nome na nota fiscal da propina de 3 milhões de reais da JBS culpando alguma rocambolesca conspiração, perseguição ou armação. O que poderá ser rebatido pela Justiça com investigação, condenação e prisão…

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