Hemofilia, quando a vida se esvai…

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Mais de 40 hemofílicos de Campos dos Goytacazes passam por sérias dificuldades em seus tratamentos

Mais de 40 hemofílicos de Campos dos Goytacazes passam por sérias dificuldades em seus tratamentos por falta dos medicamentos que são fornecidos pelo Hemorio e distribuídos pelo Hemocentro do Hospital Ferreira Machado.

Drama sem solução

Desde o final do ano passado, os pacientes agonizam esperando uma solução e até o Ministério Público Federal foi acionado para resolver a situação, mas até agora ninguém obteve retorno.

Mais de 40 hemofílicos de Campos dos Goytacazes passam por sérias dificuldades em seus tratamentos por falta dos medicamentos
Mais de 40 hemofílicos de Campos dos Goytacazes passam por sérias dificuldades em seus tratamentos por falta dos medicamentos

Segundo Carla Trindade, mãe de um portador de hemofilia, desde o final do ano passado o remédio passou a faltar, aumentando o drama dos pacientes.

“De certo tempo para cá, surgiu um tratamento chamado Profilaxia, onde os hemofílicos injetam o Fator para prevenir as hemorragias e ter uma vida mais normal. O meu filho e muitos outros hemofílicos faziam este tratamento. Do ano passado para cá o Fator VIII Recombinante começou a faltar, o tratamento foi prejudicado e começaram a ter hemorragias internas novamente que prejudicam o andamento normal de suas atividades como estudar e trabalhar”, ressaltou.

Ainda segundo Carla, o Fator VIII Recombinante está em falta desde outubro de 2016. Desde então, ela entrou em contato com a médica responsável e solicitou a troca do medicamento. Mas, desde meados deste mês, o Fator VIII Plasmático também não é encontrado.  A falta dos remédios gerou denúncias ao Ministério Público Federal.

“Começamos então, no ano passado, a tentar, em contato diretamente com o Hemorio, saber o que estava acontecendo. Segundo o hospital, estava havendo problemas com relação ao balanço referente à quantidade de medicamento em estoque. Tive que fazer denúncia no MPF, mas, infelizmente, o medicamento não chegava e, com muita dificuldade, conseguimos entrar em contato com a doutora do meu filho que autorizou a volta do uso do Fator VIII derivado do sangue, que na época, não estava em falta. Um retrocesso no tratamento que estava dando tão certo. Agora, em meados de março, o Fator VIII também começou a faltar. Estive novamente no MPF e fiz nova denúncia. Desde então não temos medicamento em casa, só para emergência no hospital”, desabafou.

Hemocentro busca solução

Segundo a diretora do Hemocentro do Hospital Ferreira Machado, Sandra Chalhub, toda semana, quase que diariamente, o órgão entra em contato com o Hemorio para buscar informações sobre a regularização da distribuição dos medicamentos, porém, não obtém o retorno desejado. Ainda, de acordo com Sandra, o Hemocentro possui medicamentos para atender qualquer intercorrência dos hemofílicos.

Sem respostas

A equipe da Somos Online enviou e-mail para o Hemorio, seguindo orientação do órgão, mas até o final dessa edição não obteve retorno. Também entramos em contato com o Ministério Público Federal para saber o andamento das denúncias, mas até agora não houve resposta do MPF.

Hemofilia, o que é isso?

O que é Hemofilia? – A hemofilia é um distúrbio genético e hereditário que afeta a coagulação do sangue. O sangue é composto por várias substâncias, onde cada uma delas tem uma função. Algumas dessas substâncias são as proteínas denominadas fatores da coagulação, que ajudam a estancar as hemorragias quando ocorre o rompimento de vasos sanguíneos. Existem 13 tipos diferentes de fatores de coagulação e os seus nomes são expressos em algarismos romanos. Assim, existe desde o Fator I até o Fator XIII. Esses fatores são ativados apenas quando ocorre o rompimento do vaso sanguíneo, onde a ativação do primeiro leva à ativação do seguinte até que ocorra a formação do coágulo pela ação dos 13 fatores.

Resposta do Ministério Público Federal

Prezado Victor,
o procurador Stanley Valeriano, que é quem está a frente do caso, nos informou que requisitou informações do Hemorio e da Secretaria Municipal de Saúde e ambos alegam que a distribuição está regular.
Mas a representante (mãe de uma criança hemofílica) prossegue alegando dificuldade na obtenção dos medicamentos.
O procurador informou também que vai tentar marcar uma reunião com o Secretário de Saúde para esclarecer a situação.
Att.
Luiz Augusto

 

Assessoria de Comunicação Social
Procuradoria da República no Rio de Janeiro
Tels: (21) 3971-9460/ 9488

 

 

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