Habeas Corpus negado, Lula frente a frente com  Moro, nessa quarta-feira, em Curitiba

0
O pai de todos os medos: Lula terá que ficar frente a frente com Moro

O habeas corpus impetrado pela defesa de Lula solicitando a suspensão do processo e o adiamento do depoimento foi negado pelo juiz federal Nivaldo Brunoni. Segundo o magistrado: “não há ilegalidade no não fornecimento de contratos e documentos que não digam respeito às imputações não contidas na denúncia”.

Não funcionou o artifício utilizado pelos advogados Cristiano Zanin e Roberto Teixeira, que defendem Lula, para novamente postergar o depoimento do seu cliente dentro das investigações da Lava Jato. Segundo os advogados, os arquivos de documentos têm 5,42 gigabytes e foram anexados aos autos “sem índice e de forma desorganizada”. Seriam cerca de 5 mil documentos técnicos negociais e jurídicos, contendo mais de 100 mil páginas.

Nessa quarta-feira, o ex-presidente Lula terá que se explicar pessoalmente ao juiz Sérgio Moro, às 14h.

Entenda as acusações

Luxo à beira mar bancado pela OAS
Luxo à beira mar bancado pela OAS

Sentado no banco dos réus, o petista terá que depor sobre o caso do tríplex no Guarujá com valor estimado de 3,7 milhões de reais. De acordo com denúncia da força-tarefa da Operação Java Jato, o imóvel foi ofertado a ele pela empreiteira OAS como parte do pagamento de propinas devido ao PT referente a três contratos obtidos pela empreiteira junto à Petrobras.

Neste processo, o petista já é réu em outros quatro casos. Ele responderá pelos crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro.

Ainda nesse processo, Lula também é julgado pelo recebimento de vantagens indevidas por parte da construtora, que teria arcado com os custos do transporte e armazenamento de seu acervo presidencial.

Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS
Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS

Em depoimentos vazados à imprensa, o ex-presidente da OAS Leo Pinheiro teria afirmado que acertou com o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que o valor do imóvel seria abatido dos crédito que o partido tinha com a OAS fruto de propina. “Nesse contato, perguntei para João Vaccari se o ex-presidente Lula tinha conhecimento do fato, e ele respondeu positivamente”, teria dito o empreiteiro. Roberto Moreira Ferreira, que trabalhou na construtora até o início de 2017 e era responsável pelas benfeitorias feitas no tríplex, afirmou a Moro que a unidade estava “reservada” para Lula.

Léo Pinheiro também teria afirmado em seu depoimento que o ex-presidente pediu, em 2014, que ele destruísse as provas que pudessem incriminá-lo. Como isso foi dito durante a oitiva feita ao juiz Moro, não consta na denúncia do Ministério Público, mas provavelmente Lula será questionado pelo magistrado sobre o assunto.

NENHUM COMENTÁRIO