Queimadas indiscriminadas causam transtornos e prejuízos aos campistas

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Esta semana a cidade de Campos foi assolada por uma verdadeira tempestade de “neve negra”. Não relacionada à frente fria, mas à queima de canaviais, prática danosa à própria cultura da cana, ao meio ambiente, e à saúde humana.

Com as queimadas, que liberam para a atmosfera gases de efeito estufa como dióxido de carbono, óxido nitroso, metano e a fuligem, crescem geometricamente os casos de problemas respiratórios. Além de tudo isso, e da sujeira da fuligem irritar, fazer mal, e dar trabalho aos campistas, ela é um péssimo cartão de visitas para o município.

Coagro diz que faz a sua parte

Frederico Paes, presidente da Coagro

Diante dos questionamentos dos campistas, o Somos Online ouviu Frederico Paes, presidente da Coagro, responsável pela maior indústria sucroalcooleira da região, a Usina Sapucaia. Segundo ele, “A Coagro possui 10 colheitadeiras para colher cana sem queima. Sendo seis de grande porte e quatro pequenas. Ainda temos convênio com a UFRRJ, o Governo do Estado do Rio, e uma universidade da Alemanha, que desenvolveu uma máquina para os pequenos produtores.

A Coagro fez e faz a sua parte investindo mais de R$ 25 milhões em equipamentos para corte de cana mecanizado (sem queima) e mais R$ 8 milhões na indústria (limpeza seco) para receber cana crua (sem queima). Acontece que temos três usinas na região. É preciso saber o que as outras estão fazendo, pois a nossa cooperativa está seguindo o que determina a Lei Estadual nº 5990/2011 que prevê a extinção gradativa da queima de cana.”

Colheitadeira da Coagro

Conheça a lei

Cabe ao Inea fiscalizar o cumprimento da Lei Estadual nº 5990/2011 que normatiza as queimas e prevê sua completa extinção até 2024. Mas isso não significa que as atuais queimadas estejam dentro da lei, pois a aplicação dela é gradativa e já deveria estar em prática, e fiscalizada com rigor. Leia um trecho da lei abaixo e a sua íntegra no link.

Parágrafo primeiro da Lei Estadual nº 5990/2011

Art.1º As agroindústrias, produtoras de açúcar e etanol, e demais plantadores de cana-de-açúcar que utilizam a prática de queimada como método despalhador e facilitador do corte da cana estão obrigados a adotar as providências necessárias à eliminação gradativa da prática:
I Nas lavouras já implantadas em áreas passíveis de mecanização da colheita: 20% (vinte por cento) até o ano de 2012; 50% (cinquenta por cento) até o ano de 2014; 80%( oitenta por cento) até o ano de 2018 e 100% (cem por cento) até o ano de 2020;
II Nas lavouras já implantadas em áreas não passíveis de mecanização da colheita: 20% (vinte por cento) até o ano de 2016; 50% (cinquenta por cento) até o ano de 2018; 80% (oitenta por cento) até o ano de 2022 e 100% (cem por cento) até o ano de 2024. 
§ 1° Para os efeitos deste artigo, considera-se mecanizável a área cuja declividade seja inferior a 12% (doze por cento), em solos com estruturas que permitam a adoção de técnicas usuais de mecanização da atividade de corte da cana;

  • As lavouras de até 100 (cem) hectares formadas em cada propriedade não estarão sujeitas à redução gradativa do emprego da prática da queimada de que trata este artigo;
  • 3°Aplica-se o disposto neste artigo às áreas de cada imóvel rural, independentemente de estarem vinculadas a uma unidade agroindustrial.

Leia a lei na íntegra AQUI

Hoje haverá reunião de representantes das indústrias e fornecedores com o Inea para debater o problema.

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