Jonas Lopes diz que pagou propina a conselheiros quando era secretário de Garotinho

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Nesta quinta-feira (14), o advogado campista Jonas Lopes, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, anteriormente titular da Casa Civil na gestão de Garotinho quando governador, antes de ser indicado por ele para o TCE, onde recebia propinas, confessou que, mesmo antes da nomeação, pagava pessoalmente vantagens indevidas aos conselheiros do TCE.

Propinas já na época de Garotinho

Segundo o delator da Operação Quinto do Ouro, Jonas Lopes, antes mesmo de se tornar conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) por indicação de Garotinho, entregava propina aos conselheiros daquele órgão. Afirmando em audiência nesta quinta-feira no Rio, que fazia os pagamentos quando foi secretário da Casa Civil do ex-governador Garotinho.

Anteriormente, Jonas já havia admitido ter recebido, já dentro do tribunal, mesadas para a Corte ter “boa vontade” com o Poder Executivo em eventuais desvios nos processos.

Jonas Lopes, fiel escudeiro de Garotinho e Rosinha, entre seus líderes

Dinheiro da propina vinha das quentinhas dos presidiários

Nesta quinta, Jonas Lopes não detalhou se o então governador Garotinho sabia do pagamento, mas ele disse que os pagamentos eram feitos com dinheiro de uma empresa que fornecia quentinhas para presídios.

“Pra ter boa vontade com processos do Poder Executivo”

“Quando era secretário da Casa Civil, (no governo Garotinho), fazia os pagamentos. A mesada era de R$ 50 mil. Entregava R$ 300 mil porque um dos (sete) conselheiros não participava à época. Entregava a (propina) a um portador do então presidente”, disse.

“Quando da minha entrada no tribunal, encontrei essa prática (de todos do TCE) receber mesada. Era assim: pra ter boa vontade com processos do Poder Executivo”.

Garotinho diz que nunca soube

A defesa de Garotinho divulgou uma nota sobre o depoimento de Jonas Lopes. “Em face da declaração do Sr Jonas Lopes, a defesa do ex-governador Anthony Garotinho afirma que ele nunca soube e jamais permitiria fatos dessa natureza. Se houve alguma atitude errada por parte do Sr Jonas Lopes, isto não contou com aquiescência do ex-governador”, diz o texto, assinado pelo advogado Carlos Azeredo.

Delatores ouvidos

O juiz Marcelo Bretas ouve delatores da Lava Jato no Rio nesta quinta-feira (14). Na ação desta quinta, são acusados Jonas Lopes de Carvalho Júnior, ex-presidente do TCE; seu filho Jonas Lopes de Carvalho Neto; o doleiro Álvaro Novis, ligado a Fetranspor.

O fantasma do ‘Rei das quentinhas’

Nos anos 2000, Jair Coelho, o ‘Rei das quentinhas’ trouxe à tona o escândalo nos presídios do Rio, acusado de superfaturar alimentos para 6.500 presos em contratos com governo estadual sob a gestão de Garotinho, governador de 1º de janeiro de 1999 a 6 de abril de 2002.

O empresário Jair Coelho, que ficou preso por 40 dias e morreu em 2001, foi protagonista de uma das mais graves crises enfrentadas pelo ex-governador do Estado do Rio, Garotinho.

Em abril de 2000, Garotinho teve que afastar o seu amigo pessoal, o advogado Antônio Oliboni, do cargo de secretário estadual de Justiça.
Oliboni vinha sendo investigado pelo Ministério Público sob a acusação de ajudar Brasal a se manter como única fornecedora de comida para presos. Antes de assumir o cargo, ele era advogado da empresa administrada por Coelho.

O contrato da Brasal com a Secretaria de Justiça vinha da administração anterior, de Marcello Alencar (PSDB), e terminou em 31 de janeiro de 99 e foi prorrogado por Oliboni sem licitação.

Parentesco – Juntos & misturados

 

Antônio Oliboni foi casado com a sobrinha de Jonas Lopes, Marcella, irmã do hoje desembargador do TJ Francisco Assis Peçanha, o “Kiko”.

 

Em abril do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro exonerou o chefe de gabinete da presidência Giorgio Oliboni, filho de Antônio Oliboni. Apontado na delação do ex-diretor da Andrade Gutierrez, Marcos Vidigal do Amaral, como responsável por intermediar os pagamentos de propina da construtora ao ex-presidente da entidade, Jonas Lopes.

Ainda falta muita coisa a ser esclarecida nessa história…

Com informações do G1/Veja/Época/Somos Online Arquivo

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