Veja depoimento: Garotinho não apresenta papelzinho é quer saber se ouviram os seus gritos

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O que Garotinho falou em seu rocambolesco depoimento

O depoimento prestado ontem por Garotinho, atendendo a seu pedido sob o pretexto de que teria fatos novos a declarar e que pessoas internas no presídio de Benfica estariam tramando contra ele, nada acrescentou ao que já se sabe.

Evasivas e Subterfúgios

Delegado Carlos César Santos
Delegado Carlos César Santos

Ouvido pela projeção da 34ª DP no Complexo Penitenciário de Bangu 8 por ordem do Juiz Ralph Manhães da 98ª Zona Eleitoral de Campos, o que parece ter tido um efeito inesperado para Garotinho, ele deu respostas evasivas e se utilizou de subterfúgios para não chegar ao ponto principal da questão.

Fatos velhos

Inicialmente afirmando que teria vários fatos novos para relatar, ele começou relatando um já bastante velho e conhecido, dizendo que protocolou um documento na Casa Civil em 6/10/17, onde denunciou pessoas custodiadas em Benfica que, agora, estariam tramando contra ele e que, temendo por suas integridade física, protocolou esse documento citado, onde solicitou escolta policial e não foi atendido.

Outro

Garotinho prosseguiu com o seu depoimento afirmando que, após alguns dias, protocolou o mesmo documento no MPRJ com o Procurador Geral e que estava acompanhado por seu advogado e por Rosinha, e que, também, não obteve resposta. Esse fato teria sido trazido por um funcionário da SEAP e divulgado em seu programa de rádio na Tupi e no programa de Cabrini, Conexão Repórter. Mais um fato velho.

“Papelzinho” secreto

Continuando o seu depoimento, Garotinho disse que “ao chegar a Cadeia de Benfica ficou na Galeria A e, na manhã seguinte, recebeu a notícia que seria para a Galeria B, no corredor com outros internos e logo na entrada uma pessoa se aproximou, como se fosse se despedir e lhe deu um papelzinho dizendo: ‘quando chegar lá, leia, que isso vai confortar o seu coração’. Acreditando ser um Salmo, guardou no bolso do short sem dar maior importância”.

Estranha narrativa

Mas ao chegar à Galeria B, onde teria ocorrido a suposta agressão com um “taco envernizado” que está sendo investigada, “foi novamente utilizar o short daquele dia, colocou a mão no bolso e encontrou o bilhete, um pequeno pedaço de papel sem pauta, manuscrito a caneta azul, então, foi ler e viu que não se tratava de um Salmo, mas de um aviso, cujo teor eu não quero revelar nesse momento, mas que será juntado por meu advogado”.

Quer sabe se escutaram seus gritos

Após essa vazia e estranha narrativa, Garotinho, ainda se achando “repórter investigativo”, como se auto intitula, solicitou às autoridades que sejam ouvidos os outros presos da Galeria A para saber se escutaram os seus gritos.

Perda de tempo

Ou seja, Garotinho mobilizou o aparato judicial, policial e prisional para se dizer de posse de um suposto “papelzinho” que não quis apresentar e para pedir testemunhos dos seus gritos.

Mas é óbvio, e muito antigo, que “papelzinho” aceita qualquer coisa, principalmente os apócrifos, e que gritar no escuro qualquer um pode.

Ambos os “fatos” parecem não provar nada, ainda mais vindos de quem é um notório criador de fatos e depois das suas próprias versões dos fatos que criou.

Resta saber quem vai pagar os custos dessa inútil mobilização do aparato público

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