Foto exclusiva de “Toninho”, ex policial civil, tido como o braço armado de Garotinho

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De todos os personagens desse trailer de criminalidade organizada revelado pela “Operação Caixa D’Água”, da Polícia Federal, o ex-policial Civil Antonio Carlos Ribeiro da Silva, vulgo Toninho, cunhado de um prefeito da região, é o que havia se mantido mais na sombra, sem que fossem divulgadas as suas fotos.

Foto exclusiva

O ex-policial Civil Antonio Carlos Ribeiro da Silva, vulgo Toninho
O ex-policial Civil Antonio Carlos Ribeiro da Silva, vulgo Toninho

Nessa quinta-feira, a equipe do Somos Online teve acesso exclusivo a uma única imagem do “cobrador” de Garotinho, citado na decisão do juiz Glaucenir de Oliveira, como o braço armado que trabalhava na cobrança da propina para a facção rosa.

Duas pistolas

Segundo o relato do colaborador André Luiz da Silva Rodrigues, o Deca, proprietário da Working e da Ocean Link Solutions Ltda, a empresa que realizou o contrato simulado com a JBS, “Toninho” em suas cobranças sempre portava duas pistolas, e que afirmava que uma equipe os seguia até o banco para os altos saques em dinheiro sempre fazendo questão de mostrar que estava armado.

Testemunhas confirmam

“Todas as declarações do colaborador André Luiz foram corroboradas pelos depoimentos das testemunhas Adilson Gomes Barbosa (fls. 16/19), Ricardo Saud (fls. 31/35), Renato Barros Damiano (fls. 56/59), Brauny Alves Albergaria (fls. 68/71), Geraldo Roberto Siqueira de Souza, conhecido como Geraldo Pudim (fls. 240/243) e José Joaquim Gomes Ribeiro de Castro (fls. 267/269).”

Trecho da decisão do Juiz Glaucenir Oliveira

Vale transcrever o seguinte trecho do depoimento do colaborador constante de fl. 11, verbis: “que a JBS transferiu o valor total do contrato, debitado os tributos para a conta da empresa Ocean Link, no Banco do Brasil, agência da Rua Voluntários da Pátria, de uma só vez”. E mais: “que para não fechar e nem deixar falir sua empresa Working, o declarante se dispôs a participar deste contrato; que ficou sabendo que o dinheiro foi depositado em sua conta através de Toninho Ribeiro, ex policial civil que trabalhava para o grupo de Garotinho”.

Continua sua narrativa esclarecendo que o réu Antonio Carlos Ribeiro da Silva, vulgo Toninho, ligou para ele (colaborador) determinando que descesse de seu prédio e o encontrasse, tendo obedecido o comando e entrado no carro de Toninho, quando verificou que aquele portava duas pistolas, uma no banco do carona e outra entre as pernas, momento em que se espantou e então Toninho afirmou que seria importante andar armado.

Segundo relato do colaborador, neste encontro inesperado, Toninho falou que o dinheiro da JBS havia sido depositado e que deveria sacar o dinheiro integralmente, porque o chefe estava com pressa, referindo-se inequivocadamente ao réu Anthony Garotinho. Importante ressaltar que o colaborador demonstrou-se apreensivo e temeroso, pois afirmou ainda que Toninho salientou que uma equipe estava seguindo e protegendo ele e o colaborador enquanto rodavam de carro durante as tratativas para o saque do dinheiro, sendo certo ainda que Toninho ficou irritado quando o colaborador asseverou que deveria sacar o dinheiro em partes e não na totalidade como determinado pelo réu Anthony Garotinho, o que configuraria desobediência à ordem daquele.

As fls. 13, o colaborador esclarece ainda, que durante seus trajetos de veículo após fazer saques de dinheiro e sair do banco, recebeu ligação de Toninho dando a entender que estava sendo seguido, fato que também sob este prisma demonstra de forma clara a imposição do líder da ORCRIM, ora réu Antony Garotinho, através do réu Antônio Carlos Ribeiro da Silva, vulgo Toninho e que era o braço armado da ORCRIM, para que o colaborador obedecesse suas ordens.

Neste sentido, transcreve-se o seguinte trecho das declarações do colaborador, constantes de f. 14, in verbis: “que o declarante nunca dormiu com dinheiro em casa, sempre entregando a Toninho no mesmo dia do saque; que em todas as vezes, o Toninho fazia questão de mostrar que estava armado”…

“Já às fl. 210, o colaborador esclarece que por conta do acordado com os réus Thiago Godoy e Antônio Carlos Ribeiro, vulgo Toninho, a Prefeitura de Campos pagou a Working o valor de R$ 2.372.445,48 (dois milhões, trezentos e setenta e dois mil, quatrocentos e quarenta e cinco reais e quarenta e oito centavos), em três prestações e que para cumprir sua parte no acordo, sacou R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais) em duas parcelas que foram entregues diretamente a Toninho, em frente a sua residência e dentro do carro daquele. Como já salientei acima, as declarações externadas pelo colaborador em três oportunidades foram corroboradas por vasta prova documental e oral, e diante da robustez do contexto probatório, bem como preenchidos todos os requisitos da Lei nº 12.850/13, foi prolatada a decisão de fl. 306/309 homologando o acordo de colaboração premiada adunado aos autos às fl. 248/252”…

E por aí vai…

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