João Peixoto vota contra o fim do sofrimento dos animais em rodeios e vaquejadas

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Espora na virilha dos outros é refresco

Durante audiência da Comissão Especial de Defesa, Proteção e Direitos dos Animais, o deputado João Peixoto foi contra o projeto que proíbe rodeios e vaquejadas no RJ. Disse que “jamais iria defender o sofrimento de animais”, mas que defende a permanência de rodeios e vaquejadas porque “sabe que os animais são bem tratados”.

O deputado precisa conhecer espora e chicote mais de perto, bem de perto. Certamente sua percepção do sofrimento alheio e do significado de ser “bem tratado” será outra…

Conivência & desserviço

O deputado João Peixoto deveria aproveitar melhor o seu mandato para criar projetos que visem oferecer melhores condições de vida para o povo, engrandecendo o seu mandato com soluções para a prática de esportes para os jovens carentes do nosso Estado ou, quem sabe?, trabalhando pela implantação de políticas públicas para o desenvolvimento de cultura e artes em geral.

Esse projeto, certamente, é fruto da falta de sensibilidade, da ignorância, e de interesses inconfessáveis dos deputados envolvidos.

Sendo conivente com ele, o deputado João Peixoto está envergonhando os seus eleitores e prestando um enorme desserviço às lutas pelos direitos dos animais no Brasil.

Devemos tomar um especial cuidado para que esses deputados sejam capazes de propor leis efetivamente abolicionistas, e não leis meramente regulamentistas.

De certa maneira, temos sorte, porque o país possui inúmeras leis que, em tese, são aptas a proteger animais não-humanos.

Resta apenas que nossos representantes legislativos respeitem os Direitos Animais, e não favoreçam a A ou B, sem o menor remorso ou pudor, apenas para atender às ambições de se perpetuar em cargos eletivos.

Vaquejadas

Bastaria trocar de lugar por alguns minutos para mudar de idéia
Bastaria trocar de lugar por alguns minutos para mudar de idéia

As vaquejadas são práticas inconstitucionais, nas quais os animais são submetidos a abusos, crueldade e maus-tratos, realizadas sob o falso véu de manifestações das culturas populares, devendo ser coibidas com rigor pelo Poder Público e pela coletividade, conforme o disposto no art. 225, § 1º, VII, da Constituição Federal e demais leis, ou atos legais de caráter ambiental.

Rodeios

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Vários estudos realizados comprovam os maus-tratos causados aos animais em rodeios. No entanto, nenhum deles teria sido necessário, se utilizássemos o bom senso e deixássemos de tratar animais não-humanos como meros recursos ou objetos, subjugados à nossa vontade.

Além da violência e agressividade presente nos treinamentos e nas provas rotineiras, ainda são utilizados instrumentos (de tortura), tais como o sedém (que comprime região sensível do animal na qual se localiza parte dos intestinos, além do prepúcio – onde se aloja o pênis), as esporas (pontiagudas ou não, são acopladas às botas dos peões, servindo para golpear o animal), a peiteira (amarrada ao redor do corpo, causam enorme pressão e desconforto), o polaco (sinos com a serventia de irritar os animais), objetos pontiagudos (pregos, pedras, alfinetes, arames que são colocados no sedém ou sob a sela do animal), choques elétricos ou mecânicos, substâncias abrasivas (pimenta ou terebintina que são introduzidas no ânus do animal para causar ainda mais desconforto), além da descorna (quando se retiram os chifres do animal, geralmente por meio de um serrote e sem nenhum anestésico) e do posterior assassinato desses animais, quando já estão velhos ou incapazes de cumprir sua função na arena.

Imagine a dor
Imagine a dor

Ou seja, além de torturados psicologicamente, por estarem inseridos em um ambiente de muitíssimo estresse, esses animais também são mutilados fisicamente, passando pelas mais diversas formas de exploração.

Os sinais fisiológicos e comportamentais exibidos pelos animais nos treinamentos e provas de rodeios são coerentes com a vivência de dor/sofrimento.

Ou seja, para espanto geral das pessoas que ainda são prisioneiras do pensamento cartesiano, sim, os animais são capazes de sentir. E, no caso dos rodeios, tudo o que sentem é o estresse psicológico muito forte e a intensa dor física.

Quem incita deveria ser punido

Paulo Affonso Lemes Machado (1998, p. 54), considerado autoridade máxima em direito ambiental no Brasil, em comentário ao art. 32 da Lei nº. 9.605/98, diz que:

“Atos praticados ainda que com caráter folclórico ou até histórico, estão abrangidos pelo art. 32 da Lei nº. 9.605/98, e devem ser punidos não só quem os pratica, mas também, em co-autoria, os que os incitam, de qualquer forma.”

Escravidão também foi cultura

Se por uma parcela pequena de possibilidades a vaquejada for cultura, isso não tira a possibilidade de seu fim. É sabido que a escravidão também já foi cultura, e por seu grande teor de crueldade foi extinta, assim como as lutas de gladiadores na Grécia antiga, etc. Tais práticas antes “cultura” hoje são inaceitáveis pela sociedade. Então, por que não acabar com espetáculos de pura covardia, como os rodeios e vaquejadas? A quem interessa continuar a promover o sofrimento desses animais?

João Peixoto, o fazendeiro
João Peixoto, o fazendeiro

O fazendeiro João Peixoto

Em reportagem publicada no dia 25 de julho de 2010, na edição 155, a Revista Somos Assim trouxe a público a declaração de bens do deputado João Peixoto ao TSE.

Nela, o ex-taxista, com ensino médio incompleto, demonstrava a sua evolução patrimonial astronômica e uma incontrolável vocação para fazendeiro latifundiário.

Entre o seu vasto patrimônio, além de dinheiro, outros imóveis e veículos, chamaram a atenção, na época, as suas quatro fazendas espalhadas pela região Norte Fluminense:

Fazenda S. Clara

Fazenda Lagoa da Saudade

Fazenda S. Clara de Cardoso Moreira

Fazenda Rancho JP Cardoso Moreira

Nota da Redação

Para relembrar, na época da reportagem acima sobre a sua fantástica evolução patrimonial e enorme vocação para fazendeiro, o deputado João Peixoto, então candidato a reeleição, processou a Somos Assim pela publicação da montagem fotográfica que ilustrou a matéria. Já que as propriedades, veículos e valores haviam sido declarados por ele mesmo em sua declaração de bens ao TRE.

A matéria foi publicada em 25 de julho de 2010, mas a ação judicial só foi iniciada em 18/11/2010, poucos dias após a publicação de matérias sobre a prisão em flagrante do irmão do deputado pela Polícia Federal sob a acusação de compra de votos, notícia amplamente noticiada pela Somos Assim, o que parece ter ensejado o processo de João Peixoto para tentar calar a Somos. Não deu certo, ele perdeu…

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