Jonas Lopes diz que recebia mesadas de empresas e faturava nas quentinhas dos presos

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Jonas Filho e Jonas Neto, pai e filho na carreira do crime

Apesar de ter começado a dar com a língua nos dentes em juízo, o delator e ex-presidente do TCE Jonas Lopes de Carvalho Filho, indicado ao cargo por Garotinho, ainda tem muito o que explicar à justiça.

A sua delação premiada ainda é vista por muitos como tendo sido extremamente seletiva, e é notório os que faltam nela.

Agora vem à tona o que muita gente já sabia: a escandalosa maracutaia nos contratos de alimentação do Seap. Uma história ainda muito mal contada, pois são fortes os indícios de que nem só de propina em dinheiro se corrompia Jonas Lopes de Carvalho, mas também de favorecimentos que envolviam a soma de 140 milhões de um fundo, liberados para incluir em uma lista o nome de um familiar para indicação a um órgão da Justiça. Essa suspeita precisa ser devidamente esclarecida.

As quentinhas milionárias de Jonas no Degase
As quentinhas milionárias de Jonas no Degase

Mesada

Ontem, Jonas Lopes Filho, delator premiado da Operação Lava Jato, afirmou ao juízo da 7ª Vara Federal Criminal que recebia mesada de empresas. “Havia repasses mensais ilícitos ao TCE por empresas e era repartido por conselheiros do tribunal, nos quais me incluía”, declarou Jonas.

Foram ouvidos, além de Jonas Lopes Filho e seu filho, o advogado Jonas Lopes Neto, o doleiro Renato Chebar, e outras testemunhas.

Fundo milionário

Jonas Lopes Filho disse à Justiça Federal que falou com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), sobre a possibilidade de ganhos ilícitos com a criação de um Fundo de Modernização do TCE.

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Sempre seletivo em suas delações, e fiel escudeiro de Garotinho e Rosinha, Jonas Lopes acusa fortemente Picciani e Cabral, desafetos do amigo Garotinho

Jonas afirmou que ele inventou a questão do fundo depois de ser procurado pelo secretário de administração penitenciária, Erir Ribeiro, por questões “institucionais”. Ele teria mostrado fotos da situação da alimentação dos presos, o que teria mobilizado Jonas.

“Conversei com colegas conselheiros e, poxa, ‘Vamos ajudar o governo’ (com investimentos em quentinhas para a Seap). Nessa conversa, todos conselheiros, menos um, fizeram essa proposta” disse Jonas, referindo-se ao suposto plano dos conselheiros de obter ganhos com a alteração do fundo para auxiliar a Seap.

A partir daí o ex-presidente do TCE declarou em juízo que teve que mudar a legislação do Fundo para mudar a finalidade do investimento. Para a alteração da finalidade do fundo, Jonas disse que conversou com Picciani.

“Fui ao presidente da Assembleia, já o presidente Jorge Picciani (PMDB), e disse a ele que precisava mudar a lei que criou o fundo do tribunal, expliquei as razões e disse que também precisava mudar a dele (do fundo da) Alerj, porque ele também queria fazer uns auxílios ao Governo do Estado. Mas disse ao presidente: ‘Só tem um detalhe aqui: o Tribunal (de Contas) está vislumbrando um ganho ilícito.’’, declarou Jonas Lopes.

“O fato é que disse a ele (Picciani), como disse aos senhores, que haveria possibilidade de ganho ilícito nesses pagamentos para alimentação, faturas atrasadas de empresas de alimentação, e ele (Jorge Picciani) me disse então: tenho uma pessoa que organiza pra você: Luis Roberto (Pereira Soares)”.

Jonas Lopes ainda declarou que fez um repasse de R$ 160 milhões (existiria uma diferença de 20 milhões?), divididos entre a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e o Degase, e deste valor R$ 6 milhões serviram para o pagamento de propina.

Quentinhas da propina

Em seu depoimento, Jonas Lopes Neto, filho do delator e ex-presidente do TCE-RJ, disse que conversou sobre o acerto ilegal entre o Tribunal e as empresas de “quentinhas” com o ex-governador Sérgio Cabral.

“Por volta de abril ou maio do ano passado, meu pai me chama no gabinete dele: ‘(Cabral) quer me encontrar e pediu para te levar’. ‘Vamos lá (respondi)’. (O assunto) seria recolhimento de propina referente a um convênio celebrado com Seap e Degase, várias empresas pagariam aos conselheiros e eu recolheria para entregar ao meu pai.”

Ele disse ainda que fez os acertos com Marco Antonio de Luca, sócio da empresa Masan, que fornecia alimento para presídios e escolas públicas. Neto disse que não conhecia Luca e que se sentia constrangido. Bretas então perguntou:

“Algum constrangimento ao praticar um crime ao lado do seu pai – cConselheiro – e você, (sendo) advogado?”. Ele respondeu que sim.

A denúncia

Segundo a denúncia, o empresário Marco Antônio de Luca pagou R$ 17 milhões em propina ao ex-governador Sérgio Cabral para conseguir benefícios com o governo do estado. O empresário é ligado às empresas de alimentos Masan e Milano, que pertencem ao mesmo grupo familiar e estão entre as principais fornecedoras de alimentos e merenda para o estado do Rio. As empresas conseguiram contratos no valor aproximado de R$ 2,5 bilhões com o governo. Além do ex-governador, também são réus no processo os operadores Carlos Miranda e Carlos Bezerra.

Com informações do G1

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