Em 2009 a Somos avisou Rosinha sobre a GAP, mas ela ignorou

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A perseguida

Como sempre, Garotinho e Rosinha nem se deram ao trabalho de usar a imaginação para explicar a Operação Caça Fantasma em sua casinha na Lapa, cumprindo mandato de busca e apreensão na investigação da GAP e seu proprietário “fantasma” que assinou contrato milionário durante a gestão de Rosinha na prefeitura de Campos.

O casal repetiu o mal ensaiado e cansativo mantra de que é tudo perseguição, dizendo que nenhum dos dois foi denunciado na operação. Pelo menos não até agora…

Rosinha foi avisada pela Somos em 2009

A verdade é que essa história é velha e foi denunciada pela Revista Somos Assim em 14 de junho de 2009 sem que nenhuma providência concreta tenha sido tomada pela ex-prefeita Rosinha.

Em sua edição 199, a Revista Somos Assim dava início à reportagem-denúncia contra a Gap, mostrando várias divergências bastante suspeitas na documentação da empresa, endereço diferente da nota fiscal, finalidade social de venda de produtos automotivos, e publicou fotos do endereço da sede em um galpão lacrado com cadeado em local ermo que não condizia com o milionário contrato com a Prefeitura de Campos.

Abertura da reportagem da Revista Somos Assim em 14/junho/2009

“Mais de 13 milhões (13.899.600) em jogo, e o atendimento de ambulâncias à Saúde Municipal de Campos nas mãos da George AP. da Silva Comércio de Produtos Automotivos ME, uma micro empresa instalada em Caxias, em endereço diferente do que consta na nota fiscal nº243, emitida em 28/11/2008, que venceu o pregão n° 045/09 para aluguel de ambulâncias e terceirização de motoristas, para atender as necessidades dos órgãos de Saúde da Prefeitura de Campos.”

Confira abaixo:

Parte da capa da Somos em 14 de junho de 2009
Parte da capa da Somos em 14 de junho de 2009 mostrando o endereço da GAP no contrato social, empresa que contratava milhões com a Prefeitura de Campos
A Somos apontou diversas irregularidades, mas Rosinha fingiu não ver
A Somos apontou diversas irregularidades, mas Rosinha fingiu não ver

Rosinha preferiu ignorar denúncias da Somos. Só três anos depois, acuada pela “Época”, tomou providências

Revista Época de 17/05/2013
Revista Época de 17/05/2013

A Somos Assim, semanalmente publicada e vendida em todas as bancas de Campos, fez a denúncia em 2009, mas a ex-prefeita Rosinha, estranhamente, preferiu ignorar. Só tomando alguma providência em 2013, após uma denúncia da Revista Época na reportagem “O Amigo Invisível de Garotinho” que denunciava todo o esquema do “fantasma” George e a deixou sem saída em nível nacional; leia na íntegra essa excelente matéria (AQUI).

Panorama ideal para delação

Entre os presos na operação, o principal foi Fernando Trabach, o “pai do fantasma” George, quando tentava bater asas no aeroporto, mas também foram denunciadas a sua mãe, a sua mulher, o seu filho, a sua cunhada, a sua ex-mulher e empregados.

O cenário perfeito para a gestação de delações premiadas extremamente sinceras. Quem sabe?

Pode ser que esse panorama mude, ou pode ser que não. Nesse Brasil é assim mesmo. O certo é que ainda vai passar muita água debaixo dessa GAP…

Não explica e não convence…

A notinha oficial do casal menos convence do que explica, leia esse trecho: “Portanto, não sendo partes no processo, consideram uma perseguição política o mandato de busca e apreensão à sua casa, já que, à época dos fatos, a então prefeita Rosinha tomou todas as medidas cabíveis: rescindiu o contrato com a empresa denunciada e reteve recursos que ela tinha receber.”

Questão

A ex-prefeita Rosinha estaria falando de, exatamente, quanto do dinheiro público ficou retido e de quanto dele foi efetivamente pago durante todo esse enorme lapso de tempo entre as primeiras denúncias em 2009 e aquelas inevitáveis providências tomadas apenas em 2013? Essa diferença faz uma diferença enorme…

Trinta mandados de busca e apreensão foram cumpridos na manhã dessa terça-feira

Garotinho, o Perseguido

“Hoje pela manhã, o Ministério Público Estadual cumpriu mandado de busca e apreensão em 30 locais, determinados pela juíza Amália Regina Pinto, da Comarca de Duque de Caxias, em função de um inquérito que apura supostas irregularidades cometidas pela empresa GAP, que prestou serviços, além da Prefeitura de Campos, para diversas prefeituras do estado e do Brasil, além da própria Polícia Civil e a Alerj.
Um dos locais desses mandados de busca e apreensão foi minha residência em Campos, onde os servidores do MP Estadual, depois de realizar diligências na minha casa, constataram que não havia “nenhum tipo de documento especificado no competente mandado de busca e apreensão relacionado ao rol de empresas investigadas”.
Com isso nada levaram e deixaram a minha residência.
Confesso que fiquei surpreso com a medida, pois jamais fui instado a prestar qualquer tipo de esclarecimento a respeito do tema pela Delegacia de Polícia Fazendária, da Polícia Civil do Rio, controlada por Pezão e Picciani, que originou o pedido da pretensão cautelar, que culminou a equivocada busca e apreensão.” 

 Assombração

Mas dessa vez parece que o “fantasma” George Augusto Pereira da Silva não veio para bater as carteiras dos campistas, mas para puxar os pés dos responsáveis…

E os prejuízos continuam a crescer…

O Procurador Geral do Município José Paes Neto explica que prejuízos causados pelo contrato assinado por Rosinha continuam a açodar o caixa da prefeitura, que não consegue devolver as ambulâncias simplesmente por não encontrar o responsável para recebê-las de volta. Assista ao vídeo abaixo.

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